'Estamos lidando com gângsteres', diz Gilmar Mendes sobre acusações

Ministro do STF qualificou o ex-presidente Lula como uma 'central de informações' que passa dados a 'gângsteres'

Wilson Lima, iG Brasília |

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes classificou na tarde desta terça-feira o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma “central de informações” responsável por passar adiante dados de “gângsteres”. A intenção destes “gângsteres” seria desestabilizar a imagem do Supremo e conturbar o julgamento do mensalão.

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AE
O ministro Gilmar Mendes, do STF, voltou a falar sobre a conversa com o ex-presidente Lula

As declarações de Mendes ocorrem um dia depois do ex-presidente Lula desmentir um suposto lobby feito por ele, há aproximadamente um mês, para tentar adiar o julgamento do mensalão para após as eleições. Segundo reportagem da revista Veja, a moeda de troca oferecida a Mendes seria a blindagem na CPI do Cachoeira.

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Segundo Gilmar Mendes, com base em “notícias que chegaram” até ele, nas últimas semanas, o ex-presidente Lula estaria repassando informações inverídicas sobre uma viagem dele a Berlin em um avião de Carlos Cachoeira junto com o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), acusado de ligação com o bicheiro. “Ele recebeu esse tipo de informação. Gente que o subsidiou com esse tipo de informação e ele acreditou nela. Vamos encerrar com isso’, disse. Em depoimento ao Conselho de Ética, Demóstenes contou a mesma versão de Mendes para a viagem.

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“Ele era a central de divulgação disso. O próprio presidente. Estive com o embaixador Everton Vargas (em Berlim), que foi designado pelo Lula. Quem vai para Berlim clandestinamente vai à embaixada? Coisa de moleque e de baixa inteligência. É gente que não tem nem um neurônio. Para esclarecer tudo isso bastava um telefonema para a embaixada. Não precisava se fazer essa rede de intriga que está se fazendo. Chega disso”, resignou-se.

Mendes apresentou documentos nesta terça-feira confirmando a viagem a Berlin, mas pagas do próprio bolso e também custeadas pelo Supremo. Nesta terça-feira, a coluna Poder Online adiantou que o ministro Gilmar Mendes falaria sobre a polêmica viagem à Alemanha supostamente em companhia de Demóstenes Torres.

Apesar disso, Mendes confirmou que foi a Goiânia duas vezes em um avião cedido por Demóstenes. Uma vez com o ex-ministro Nelson Jobim e a outra com Dias Tóffoli. “Eu fui duas vezes a Goiânia a convite do Demóstenes. Uma vez com o Jobim e Toffoli. E outra vez com Toffoli e a ministra Fátima Nancy. Avião que ele colocou à disposição. Tudo combinado e muitos de vocês já ouviram. Tenho tudo anotado. Era avião da empresa Voar”, assinalou.

Ainda conforme o ministro do Supremo, algumas destas informações contra ele foram “plantadas” por gângsteres. Ele diz que está hoje “lidando com bandidos”. “A gente está lidando com gângsteres. Vamos deixar claro: estamos lidando com bandidos. Bandidos. Bandidos que ficam plantando essas informações. Vocês se lembram do Gilmar de Mello Mendes. É o mesmo nível de informação”, disse. Mendes se refere a um episódio em 1992 em que tentaram fazer relação entre ele e o ex-presidente Fernando Collor de Mello.

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