CPI aprova convocação de Perillo e Agnelo, mas poupa Cabral

Quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico do senador Demóstenes Torres também foi aprovada nesta quarta-feira

iG São Paulo |

Os parlamentares membros da CPI do Cachoeira aprovaram nesta quarta-feira a convocação dos governadores do Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), mas pouparam o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB).

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Agência Câmara
Sessão na CPI aprovou uma série de requerimentos nesta quarta-feira

A decisão de convocar Perillo foi tomada por unanimidade, enquanto Agnelo, por uma diferença de quatro votos: 16 parlamentares votaram sim, e 12 votaram não. A convocação de Cabral foi recusada pela comissão por 17 votos a 11. Ainda não há datas marcadas para os depoimentos.

Perillo enfrenta a suspeita de que teria negociado um imóvel com Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, por intermédio do ex-vereador do PSDB Wladimir Garcez , um dos poucos depoentes que prestou algum esclarecimento à CPI até agora, mesmo não tendo respondido aos questionamentos dos parlamentares. Cachoeira está preso desde fevereiro acusado de comandar um esquema de jogos ilegais.

A Polícia Federal também acusa Perillo de nomear pessoas indicadas por Cachoeira para órgãos do governo. Durante a sessão de ontem, o governador compareceu ao Congresso e se dispôs a explicar aos seus colegas sobre as acusações.

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Queiroz deve ter que explicar a relação de membros do seu governo com Cachoeira , já que não há menção nas investigações da PF que apontem uma ligação direta do petista com o contraventor. Cláudio Monteiro, chefe de gabinete do governador, pediu demissão depois de ser citado em gravações por dois supostos integrantes do grupo de Cachoeira.

A maior parte dos parlamentares que pouparam Cabral de convocação nesta quarta-feira, alegaram que, agora que foi aprovada a quebra de sigilo da empresa Delta, em âmbito nacional, é necessário um exame mais detalhado desses documentos, antes de chamar o governador à sessão.

Cabral apareceu em fotos em festas em Paris com secretários estaduais e com o empresário Fernando Cavendish, ex-proprietário da Delta e amigo pessoal do governador. A empreiteira já recebeu R$ 1,49 bilhão em contratos com o governo do Rio durante a gestão Cabral. As fotos das confraternizações em Paris foram reveladas pelo blog do deputado federal Anthony Garotinho (PR), adversário de Cabral.

Mais cedo, a CPI aprovou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), que deve comparecer à CPI nesta quinta-feira. Ontem, o parlamentar, acusado de praticar tráfico de influência em favor de Cachoeira, deu um depoimento de cinco horas ao Conselho de Ética, onde enfrenta um processo disciplinar por quebra de decoro parlamentar.

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Depoentes

O ex-diretor da regional Centro-Oeste da empresa Delta Construções Cláudio Abreu foi dispensado da sessão da CPI. Ele, assim como fez na semana passada Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, usou seu direito constitucional de permanecer em silêncio.

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Preso pela Polícia Federal (PF) em abril, na Operação Saint-Michel, ele é investigado como o principal operador de Cachoeira. Abreu e todos os outros três indiciados que compareceram hoje na sessão da CPI, - Lenine Araújo de Souza, Gleyb Ferreira da Cruz e José Olímpio de Queiroga Neto - acusados de ligação com Cachoeira, conseguiram liminar em habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF) para que pudessem permanecer em silêncio.

Por conta disso, Gleyb Ferreira da Cruz, o primeiro a se apresentar na sessão, foi dispensado pelo presidente da comissão, Vital do Rêgo (PMDB).

Apesar da liminar do STF, Lenine Araújo de Souza, apontado como contador da organização criminosa, fez um curto depoimento. Ele afirmou ser um empresário em Brasília, que tem todos os bens declarados no imposto de renda. "Eu não sou sócio a nenhuma empresa que está ligada a essas que estão aparecendo", disse. "Eu não me considero braço direito do senhor Carlos, como me denunciaram, e me sinto injustiçado."

As liminares concedidas pelo Supremo, que garantiu aos depoentes o direito de permanecer calado, foi motivo de debate entre os parlamentares. "Estou muito abastado com essa ordem de habeas corpus. Isso (a CPI) não é palco de exibicionismo de ninguém, nem de réu, nem de deputado, nem de ministro do Supremo Tribunal Federal", afirmou o deputado federal Miro Teixeira.

O senador Alvaro Dias (PSDB) discordou e disse que esse é um procedimento comum do STF. "O que ocorre nessa CPI é o que ocorre em todas as outras. Não vejo diferença das decisões tomadas pelos ministros (do STF) na CPI do Cachoeira com outras as CPIs".

Quebra de sigilo de Perillo

Os parlamentares também adiaram a decisão sobre requerimentos que pedem a quebra do sigilo telefônico e de SMS (mensagens de texto) de Perillo e dos deputados Sandes Júnior (PP-GO), Stepan Nercessian (PPS-RJ) e Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO).

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Na presidência da sessão, o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), eleito na última terça-feira vice-presidente da CPI, informou que, com a retirada de pauta, a votação dos requerimentos fica adiada.

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