Fidel Castro diz que 'ressuscitou' em mundo de loucos após doença

Entrevista com ex-líder cubano foi publicada nesta segunda-feira por jornal mexicano La Jornada

iG São Paulo | 30/08/2010 18:57

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O ex-líder cubano Fidel Castro afirmou que, após a grave doença que o manteve quatro anos afastado da vida pública, ele "ressuscitou" em um "mundo de loucos".

Foto: Reuters

Fidel Castro concedeu entrevista de cinco horas para Carmen Lira, diretora do mexicano La Jornada

Em entrevista publicada nesta segunda-feira pelo jornal mexicano "La Jornada", o ex-líder cubano falou por cinco horas de duração à jornalista e diretora do veículo mexicano, Carmen Lira.

Essa foi a primeira entrevista de Fidel a um jornal impresso estrangeiro desde sua reaparição pública há 40 dias. Depois da melhora de seu estado de saúde, o ex-líder disse que começou "a ver bem claro os problemas da tirania mundial crescente", entre os quais a "iminência de um ataque nuclear que provocaria a conflagração mundial".

Frequentes aparições na imprensa e um discurso na Assembleia Nacional encerraram um período de reclusão iniciado em 2006, quando Fidel se licenciou do cargo de presidente e foi submetido a uma cirurgia no intestino. Dois anos depois, alegando motivos de saúde, ele renunciou oficialmente e transferiu o poder ao irmão, Raúl. Em agosto, ele lançou um livro de quase 900 páginas sobre a Revolução que o levou ao poder e discursou em uma sessão extraordinária da Assembleia Nacional, convocada por ele mesmo.

O retorno de Fidel provocou discussões sobre o papel que ainda desempenharia na direção do país. Em suas recentes aparições, o líder cubano falou sobre temas internacionais, como a tensão nas Coreias e as divergências entre Estados Unidos e Irã, mas evitou assuntos relacionados à política interna. Isso fez com que alguns analistas defendessem a teoria de que os irmão Castro fazem uma espécie de "divisão de papéis": Raúl lida com as questões domésticas, Fidel se concentra nas questões internacionais.

A oposição, porém, chama atenção para o fato de que o retorno de Fidel ocorreu no dia 7 de julho, em meio ao anúncio da libertação de 50 presos políticos cubanos. Para o dissidente Guillermo Fariñas, que fez uma greve de fome de 135 dias para exigir tais libertações, o reaparecimento de Fidel Castro foi um "aval indireto" à decisão.

*Com EFE e AFP

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