Em livro, Bento 16 disse que renunciaria se ficasse incapacitado

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Entrevistado para obra lançada em 2010, ele afirmou que um pontífice sem condições "físicas, psicológicas e espirituais" tinha o direito e o dever de deixar o cargo

Em um livro lançado em 2010, o papa Bento 16 disse que não hesitaria em tornar-se o primeiro pontífice a renunciar por vontade própria em cerca de 700 anos caso se sentisse sem condições "físicas, psicológicas e espirituais" de liderar a Igreja. Nesta segunda-feira, Bento 16, que tem 85 anos, afirmou não ter mais forças para exercer adequadamente suas funções e anunciou que deixará o cargo em 28 de fevereiro.

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Intitulado "Luz do Mundo: o Papa, a Igreja e o Sinal dos Tempos", o livro é uma entrevista do papa ao jornalista católico alemão Peter Seewald.

"Sim, se um papa percebe claramente que não tem mais condições físicas, psicológicas e espirituais de encarregar-se dos deveres de seu cargo, ele tem o direito e, sob certas circunstâncias, a obrigação de renunciar", disse Bento 16 ao entrevistador.

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O último pontífice a renunciar por vontade própria foi Celestino 5º, em 1294, após apenas cinco meses de pontificado. Gregório 12 abdicou a contragosto em 1415 para encerrar uma disputa com um candidato rival à Santa Sé.

Saiba mais: Leia a íntegra do comunicado em que Bento 16 anuncia renúncia

Em 2010, quando o Vaticano esteve envolvido em uma nova onda de escândalos de abusos sexuais, houve chamados para que o papa renunciasse, mas ele diz no livro que não "fugiria" em um tempo de crise. "É possível renunciar em um momento de paz ou quando simplesmente não se tem condições de continuar", disse.

Cansaço físico

Na mesma obra, o papa admitiu que sentia suas forças diminuindo. "É claro que me preocupo com isso às vezes e me pergunto se vou conseguir seguir adiante, desde o ponto de vista puramente físico", disse ele, falando do esgotamento físico provocado por suas viagens.

Na lei canônica há um dispositivo que prevê a renúncia de um papa, mas ele nunca foi aplicado. O dispositivo prevê que um papa pode renunciar, mas precisa fazê-lo por sua livre vontade, e não é necessário que sua renúncia seja aceita por ninguém.

Alguns papas anteriores cogitaram em renunciar, mas esse fato só veio à tona após sua morte.

Com Reuters

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