“O Abismo Prateado" faz música de Chico Buarque virar filme

Karim Aïnouz, em mais uma obra focada no sentimento humano, se inspirou em “Olhos nos Olhos”; veja galeria de fotos e vídeo

Luisa Girão e Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

Após ser recebido calorosamente em Cannes em maio, o filme “O Abismo Prateado", de Karim Aïnouz, teve sua première carioca no Cine Odeon, na noite desta quarta-feira (12), no Festival do Rio . A curiosidade era grande.. Tanto que todos os espectadores – inclusive os famosos – fizeram questão de entrar na sala com antecedência para garantir o seu lugar. A sala de cinema ficou lotada. Por todos os cantos, tinham pessoas tentando arrumar um espaço.

Além de ser dirigido por Karim - responsável por sucessos como “Madame Satã” (2002) e “O Céu de Suely” (2006) - e estrelado por Alessandra Negrini, o longa ainda traz outro elemento chave para este alvoroço todo: a música de Chico Buarque. O diretor cearense se inspirou na canção “Olhos nos Olhos” para narrar a história de uma mulher abandonada.

“Os filmes que eu já tinha feito até então sempre tinham a presença de canções que eram muito importantes, que eram muito fortes e marcantes. E eu fiquei com vontade de fazer o processo inverso. A partir de uma canção, fazer um filme”, contou Aïnouz ao iG .

Jornada nas ruas

"O abismo prateado" narra as consequências do abandono no coração da dentista Violeta, interpretada por Alessandra Negrini. A personagem é casada, tem um filho adolescente, está pronta para começar mais um dia em sua rotina, entre seu consultório e o seu novo apartamento em Copacabana. Ao receber uma mensagem desconcertante em seu celular, Violeta embarca em uma jornada pelas ruas do Rio de Janeiro até o nascer do sol.

“Já tinha visto todos os filmes de Karim e o admirava. Quando fui chamada para fazer o longa, não tinha ainda nem roteiro. Mas é só ele chamar, que eu vou”, disse Alessandra. Elogio mais do que recíproco. “Trabalhar com ela foi um tesão”, resumiu o diretor.

George Magaraia
Alessandra Negrini

Caetano Veloso, que já tinha ido ao Odeon para ver “A Pele que Habito ”, falou sobre a música-tema de Chico Buarque, momentos antes de entrar na sessão. “É uma grande canção. Acho que vai ser um ótimo filme. Vamos ver se está a altura da música de Chico. Mas o diretor é bom. Gostei de todos os filmes que vi dele, principalmente ‘O Céu de Suely’”, falou. Elba Ramalho acrescentou: “Chico é poesia pura. Acho que todas as músicas dele poderiam viram filme”.

Até o ator americano Willem Dafoe conferiu a sessão e aproveitou para elogiar o Rio de Janeiro. “Estou gostando desta cidade e desta agitação toda. Mas, na verdade, ainda não deu tempo para conhecer tudo”. Rodrigo Santoro, Eriberto Leão, Maria Padilha, Paulo José, Sergio Marone e Cláudia Ohana também prestigiaram a première.

Só faltou mesmo Chico Buarque, que estava na lista de presenças vips, assim como em Cannes. Perdeu, mais uma vez, a bela chance de ver sua canção traduzida em imagens.


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