Cuba deve seguir exemplo de países árabes, diz Obama

Americano afirmou que, enquanto for presidente, estará disposto a mudar a política em relação ao país caribenho

iG São Paulo |

Reuters
Obama discursa em cerimônia realizada no Memorial Nacional 11/9, em Nova York (11/9)
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu que Cuba, sob embargo há cinco décadas, una-se à onda de mudança democrática que varre o mundo árabe e derrubou parte dos governos autoritários. "Chegou a hora para que a mesma coisa aconteça em Cuba", disse Obama durante uma mesa redonda virtual realizada com hispânicos. "Se virmos um movimento positivo, responderemos de forma positiva."

Obama declarou que, enquanto for presidente, estará disposto a mudar a política em relação ao país caribenho, desde que ocorram mudanças políticas e sociais significativas. "Enquanto for presidente, sempre estarei disposto a mudar nossa política em relação a Cuba, desde que comecemos a ver uma séria intenção por parte das autoridades cubanas, como dar liberdade ao seu próprio povo."

Ele disse não querer ficar "preso à mentalidade da Guerra Fria" e que Washington tem buscado melhorar os laços, mudando algumas regras, mas espera por sinais de Cuba, como a libertação de prisioneiros políticos e garantias aos direitos humanos fundamentais.

Durante seu governo, Obama suavizou várias medidas da bateria de sanções contra o regime castrista. Os cubanos podem mandar dinheiro sem limites, podem ir quantas vezes quiserem à ilha e várias categorias de viajantes, como cientistas, estudantes ou esportistas têm maior flexibilidade para voar para Cuba.

Depois que um internauta perguntou quais seriam as condições exatas para encerrar o embargo que os EUA mantêm contra a ilha desde 1962, Obama disse que não era necessário que o povo gozasse de um "sistema de mercado perfeito". "Obviamente, mantemos transações e intercâmbios com inúmeros países que estão longe de ser democracias liberais perfeitas", explicou.

"Se víssemos uma libertação de prisioneiros políticos, a possibilidade das pessoas expressarem sua opinião e exigir contas de seu governo, essas seriam mudanças significativas", acrescentou. "Se ocorressem estas transformações, prestaríamos atenção e, obviamente, reexaminaríamos nossa política em seu conjunto."

Nesta quarta, o governo cubano autorizou oficialmente a compra e a venda de carros , proibidas durante meio século, uma das medidas mais esperadas das reformas do presidente Raúl Castro. A medida havia sido anunciada primeiramente em abril por Raúl e, pelo decreto, entrará em vigor a partir de 1º de outubro.

O governo permitirá a compra de carros novos para cubanos que obtiverem rendas em moedas ou pesos conversíveis - equivalente ao dólar - por "seu trabalho em funções designadas pelo Estado ou no interesse deste", e dependendo da permissão do Ministério do Transporte.

AP
Carro clássico americano passa em frente de escritório onde se vê bandeira cubana em Havana

Cuba pede devolução de agente

Cuba acusou nesta quarta os EUA de "apoiar" atos terroristas contra a ilha e exigiu que o governo de Obama devolva René González, um dos cinco agentes de inteligência cubanos presos nos EUA desde 1998, depois que ele deixar a cadeia na Pensilvânia em 7 de outubro, após cumprir 13 anos por espionagem e conspiração.

Entretanto, uma juíza do Distrito Sul da Flórida rejeitou uma solicitação apresentada por González para retornar a Cuba e disse que ele deveria permanecer nos EUA por mais três anos em regime de "liberdade supervisionada".

"Essa decisão constitui uma represália adicional deliberada, impulsionada pelas mesmas motivações de revanche política que caracterizaram os processos judiciais fraudados pelos quais se condenou os 'Cinco Heróis', no ano de 2001", afirmou o Granma, jornal do Partido Comunista.

Cuba considera que os cinco homens, que pertenciam à chamada Red Avispa, são inocentes e só permaneciam nos EUA para proteger a ilha de atos de terror cometidos por grupos contrários a Fidel Castro, radicados na Flórida. Os cinco foram presos em 1998 e condenados em 2001 a sentenças variando de 15 anos à prisão perpétua por espionagem e conspiração.

O governo de Raúl pediu a Obama no passado que liberasse os cinco agentes, que são considerados "heróis" na ilha.

Havana e Washington são inimigos políticos desde que o presidente Fidel encabeçou uma revolução de esquerda em 1959 (veja cronologia) . As relações tiveram descongelamento com a chegada de Obama ao poder.

Com AFP, EFE e Reuters

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