Anunciada para março, UPP da Rocinha só sairá no fim de 2012

Falta de PMs e implantação da nova unidade pacificadora no Alemão, em junho, atrasam programa na maior favela do Brasil

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

Cléber Júnior/Agência O Globo
Bandeiras do Brasil e do Estado do Rio de Janeiro hasteadas na Rocinha, após a ocupação
A UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da Rocinha, maior favela do Brasil , inicialmente anunciada pelo governador Sérgio Cabral para março e, depois, adiada para junho de 2012, só será implantada no último trimestre do ano.

Depois da tomada e ocupação da favela na zona sul com o Bope, em novembro , o Batalhão de Choque é o responsável por patrulhar a comunidade atualmente. Ainda não há previsão exata da chegada da UPP no local, mas deve ocorrer em dezembro, quando se formará turma de 1.500 novos soldados.

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Raphael Gomide
Bope faz reunião com a população da Rocinha
Em novembro, o governador Sérgio Cabral prometeu, em entrevista ao jornal “O Globo”, “concluir a UPP da Rocinha no primeiro trimestre de 2012, ou no máximo, entre março e abril”. Em janeiro, anunciou a unidade para junho, antes da UPP do Alemão. Isso não vai acontecer.

O Exército já avisou que não quer ficar no local após junho. Assim, a necessária implantação do sistema de UPPs nos complexos do Alemão/Penha é um importante complicador, uma vez que vai requerer até 2 mil PMs.

Os morros vizinhos da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, reconquistados na mesma operação, receberam em janeiro uma UPP . Mas são comunidades com o total de 10.372 moradores, pequenas em comparação aos 69.161 da favela de São Conrado.

Agência OGlobo
Bope apresenta armas apreendidas na Rocinha
A Rocinha exigiria um efetivo entre mil e 2 mil PMs, ainda não disponível nos quadros da corporação – que não pretende se descuidar do policiamento ostensivo nas ruas do Rio, com cerca de 7 mil agentes por turno de 12 horas.

Enquanto isso, o Batalhão de Choque permanece no local, com o patrulhamento de rotina e operações eventuais, com vistas a manter a paz e reprimir o tráfico de drogas residual.

Após incidentes como roubos e assassinatos , a PM reforçou a segurança , com motos, policiais femininos a pé e pessoal a cavalo.

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Recrutamento e formação de policiais é calcanhar-de-aquiles das UPPs

Raphael Gomide
Soldados recém-formadas Daiane, Marcella e Mônica atuam na Rocinha, após a formatura
A dificuldade em recrutar e formar novos policiais militares continua a ser o calcanhar-de-aquiles da principal política de segurança pública do governo Sérgio Cabral, apesar de a PM ter feito mudanças para acelerar a seleção e o treinamento com esse fim.

A atual gestão já conseguiu elevar de 38 mil para 43.500 policiais militares, alterando a prova de seleção e reduzindo de oito meses para seis o tempo de formação dos soldados no CFAP (Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças). O ritmo tem sido forte, mas ainda insuficiente para atender às demandas de novas unidades pacificadoras.

Exército vai sair do Alemão em junho

A implantação das UPPs no Complexo do Alemão, provisoriamente ocupado pela Força de Pacificação do Exército , também já foi adiada pelo mesmo motivo, mas será implantada em definitivo em junho, até por pressão castrense.

Vera Araújo/Agência O Globo
Tropa do Exército no Complexo do Alemão, no início da pacificação
A prorrogação do acordo com o Exército foi imposta a contragosto aos militares e até ao ministro da Defesa, Celso Amorim , que reclamam que a missão de ocupação permanente não cabe à Força terrestre. A Força de Pacificação já está lá desde novembro de 2010.

Um contingente de 200 PMs já atua no local, subordinada ao general-de-brigada Tomás Miné Ribeiro Paiva, comandante da Força de Pacificação.

Há consenso no Alto Comando do Exército de que a permanência no complexo é negativa e pode trazer eventuais problemas para a Força. As UPPs já devem começar a ser implantadas até o fim deste mês, mas serão instaladas em definitivo lá em junho.

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