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Em 31 dias, Bolsonaro foi a Davos, cumpriu promessa de campanha com liberação de posse de armas e viu filho mais velho motivar dor de cabeça; nas redes sociais, presidente diz que a nova gestão está "no caminho certo"

Presidente Jair Bolsonaro completou primeiro mês de governo e avalia período com otimismo
Valter Campanato/Agência Brasil
Presidente Jair Bolsonaro completou primeiro mês de governo e avalia período com otimismo

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) se manifestou nas suas redes sociais nesta quinta-feira (31) sobre seu primeiro mês de governo. Para ele, "estamos no caminho certo". Seus primeiros dias na Presidência da República foram marcados, principalmente, por um desastre ambiental e por otimismo econômico.

A gestão de Jair Bolsonaro começou com uma importante viagem internacional. Em Davos, na Suíça, Bolsonaro abriu os debates do Fórum Econômico Mundial , encontro anual de líderes mundiais e investidores.


Em discurso surpreendentemente rápido – foram apenas seis minutos –, Bolsonaro exaltou que montou uma equipe técnica para liderar as reformas no Brasil . Ele foi acompanhado de uma comitiva de cinco ministros, incluindo Paulo Guedes(Economia), e Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública).

No fim do mês, o governo teve que lidar também com o rompimento da barragem 1 da mina Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho, Minas Gerais. A tragédia causou impactos ambientais de enormes proporções deixou mais de uma centena de mortos e ainda há mais de 200 desaparecidos.

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Bolsonaro sobrevoou a área para avaliar os impactos, liberou R$ 800 milhões para o estado de Minas Gerais, conseguiu ajuda do governo de Israel e antecipou o pagamento do Bolsa Família às pessoas afetadas. Além disso, o governo afirmou ter  intenção de mudar licenciamento de barragens e prometeu intensificar fiscalização.

Presidente Jair Bolsonaro sobrevoa a região de Brumadinho atingida pelo rompimento da barragem da Vale
Isac Nóbrega/P
Presidente Jair Bolsonaro sobrevoa a região de Brumadinho atingida pelo rompimento da barragem da Vale


Em janeiro, o cenário econômico favorável contrastou com as denúncias de supostas ilicitudes envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PSL), filho mais velho do presidente. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações atípicas em uma conta do ex-motorista de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz. O  filho do presidente é suspeito de ter se valido do funcionário como laranja.

Em um primeiro momento, o presidente defendeu o primogênito. Com a persistência das acusações, Bolsonaro afirmou que o filho deveria pagar, caso tenha errado. "Se, por acaso, ele errou e isso ficar provado, eu lamento como pai, mas  ele vai ter que pagar o preço por essas ações que não podemos aceitar", disse.

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Mais confusões cercaram o novo governo neste primeiro mês. O Ministério da Educação retirou de um edital para a compra de livros didáticos exigências como a ausência de erros de revisão ou de impressão e a proibição de propagandas de marcas, produtos ou serviços.

As alterações foram publicadas no Diário Oficial da União no dia 2 de janeiro. Depois de duras críticas, o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez anulou as mudanças.

Por outro lado, o novo presidente assinou um decreto que flexibiliza a posse de armas. A principal mudança é que agora não é preciso justificar a necessidade da posse. Os cidadãos que desejam ter uma arma de fogo agora enfrentam menos restrições para a compra e poderão adquirir até quatro armas.

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Além disso, a permissão que antes deveria ser renovada a cada cinco anos, agora vale por até dez anos. A posse mais ampla de armas era uma das principais promessas de campanha de Jair Bolsonaro e foi cumprida logo nos primeiros dias do novo governo.

E a tão sonhada teforma da Previdência não ficou de fora do primeiro mês de governo Bolsonaro. O presidente e o vice, General Hamilton Mourão, deram diversas declarações sobre o tema."Todos vão ter que contribuir um pouco para ela ser aprovada", afirmou Bolsonaro.

Apesar das promessas de Bolsonaro de que a proposta sairia ainda em janeiro, o tema ficou para fevereiro. As negociações também devem se intensificar neste mês, com o início nas atividades do Congresso.


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