Ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles
Alan Santos/PR
Ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sobreviveu à primeira reforma ministerial do presidente Jair Bolsonaro , e até mesmo adversários não veem chance de ele ser substituído no curto prazo.

Ao contrário do ex-chanceler Ernesto Araújo , que não resistiu à ofensiva de parlamentares, Salles , diante da pressão do Centrão, agiu para se blindar no posto. Fugiu das polêmicas nas redes sociais, fortaleceu seu apoio no Congresso — sobretudo com a bancada ruralista — e tratou de se reaproximar de militares do governo. Com uma gestão marcada por controvérsias, Salles tenta reconstruir a sua imagem dentro do governo.

Queimadas na Amazônia

Queimadas no Brasil
O Dia
Queimadas no Brasil

Com recordes de desmatamento , o ministro defendeu que a solução contra atividades ilegais seria “monetizar” a Amazônia, ampliando brechas para atividades como garimpo e extração de madeira, duas das principais causas da derrubada da floresta. Em resposta à pressão internacional, Salles ainda cobrou o  ator Leonardo DiCaprio que investisse na preservação da floresta. Em 2019, Bolsonaro havia acusado falsamente o ator de “tacar fogo” na Amazônia. 

"Boi bombeiro" no Pantanal

Salles defende 'boi bombeiro' citado por Tereza Cristina
O Dia
Salles defende 'boi bombeiro' citado por Tereza Cristina

Salles também atraiu críticas de ambientalistas e da comunidade internacional ao argumentar, em audiência no Senado para discutir as queimadas que devastaram o Pantanal no ano passado, que o aumento da criação de gado combateria o fogo , por levar a uma “redução de matéria orgânica” no bioma. Segundo especialistas, no entanto, o avanço dos incêndios nos últimos anos ocorreu em paralelo à expansão da fronteira agropecuária na região.

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"Passar a boiada" durante a pandemia

Ministro sugeriu
Reprodução
Ministro sugeriu "passar boiada" durante reunião ministerial de 22 de abril de 2020

Em reunião ministerial em abril de 2020, cuja gravação foi tornada pública, Salles recomendou ao presidente que aproveitasse o enfoque da imprensa e da sociedade civil na pandemia para “passar a boiada” , em suas palavras, modificando regulamentos e legislações ambientais que não necessitassem de aval do Congresso. Desde o início do governo, tanto Salles quanto Bolsonaro criticam o que avaliam como “excesso” de normas de proteção ambiental .

Atritos com os militares

Luiz Eduardo Ramos
Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Luiz Eduardo Ramos

Em outubro,  Salles abriu uma crise com a ala militar ao chamar o então ministro da Secretaria de Governo,  Luiz Eduardo Ramos, de “Maria Fofoca” por supostos vazamentos à imprensa. Militares mostravam insatisfação com o ministro em temas como a Amazônia, hoje na alçada do vice-presidente Hamilton Mourão. Em setembro, Mourão havia criticado uma ameaça de Salles de paralisar o combate ao desmatamento, alegando falta de verbas.


Xingamento a Maia

Rodrigo Maia foi chamado de
Reprodução
Rodrigo Maia foi chamado de "Nhonho", personagem do seriado de TV Chaves

Após ser criticado pelo então presidente da Câmara,  Rodrigo Maia (DEM-RJ), pelo embate com Ramos, o ministro do Meio Ambiente voltou a causar polêmica nas redes sociais. Em uma postagem, referiu-se a Maia como “nhonho” , apelido pejorativo usado por bolsonaristas. Após a repercussão negativa, Salles apagou a postagem e alegou que “alguém se utilizou indevidamente” de sua conta no Twitter. Davi Alcolumbre (DEM-AP), à época presidente do Senado, também repreendeu Salles.

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