
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou um habeas corpus apresentado pela defesa do ex-vereador de São Paulo, Milton Leite (União), preso temporariamente no âmbito da Operação Vectura Corrupta. Na decisão publicada nesta quarta-feira (23), o ministro Rogério Schietti afirmou que não há, neste momento, ilegalidade manifesta que justifique a intervenção do tribunal.
Schietti destacou também que o STJ não pode analisar diretamente um habeas corpus contra decisão individual de um desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) antes de um pronunciamento do órgão colegiado da Corte estadual. Segundo o ministro, isso não impede uma análise mais aprofundada da questão após uma decisão colegiada do TJ-SP.
Inicialmente, em 18 de agosto de 2026, o Juízo das Garantias havia decretado a prisão temporária de três investigados e negado a medida em relação aos demais, entre eles Milton Leite.
O Ministério Público de São Paulo recorreu da decisão. Na análise do recurso, o desembargador relator concedeu parcialmente o pedido e decretou a prisão temporária de 13 investigados, entre eles Milton Leite, pelo prazo de 30 dias.
Operação Vectura Corrupta
Milton Leite foi um dos alvos da Operação Vectura Corrupta. O ex-vereador é investigado pela Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, por suspeitas relacionadas à atuação da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de transporte público da capital paulista.
Segundo o Ministério Público, pelo menos 12 das 22 empresas que operam no transporte coletivo da capital paulista seriam, em tese, controladas direta ou indiretamente pela facção.
Os investigadores suspeitam que Leite seja responsável diretamente pela operação de algumas empresas sob controle do PCC, além de apontá-lo como dono de fato da Transwolff.
Leite teve a prisão temporária decretada na última quinta-feira (17), durante a operação, que cumpriu 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em cidades como São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.
Além de Milton Leite, o ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira e o ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande Danilo Marco Morgado Silva (PL) estão entre os nomes listados pela Polícia Civil na Operação Vectura Corrupta.
A polícia e o MP suspeitavam que o ex-parlamentar pudesse estar escondido em imóvel de Sorocaba, no interior de São Paulo. Foram até o local, não o localizaram, mas acharam encontraram dinheiro e documentos com uma outra pessoa, que não soube explicar a origem deles. Foram apreendidos R$ 280 mil e US$ 89 mil em espécie, o equivalente a mais de R$ 739 mil.
O ex-vereador não foi localizado pelos policiais no dia da operação e se entregou à polícia no dia seguinte, em uma delegacia de Mogi das Cruzes.
Na saída para o Instituto Médico Legal (IML), ainda na sexta-feira, Milton Leite falou com a imprensa. Disse que é inocente de todas as acusações e que confia na Justiça e no trabalho da polícia.