Milton Leite
Afonso Braga/Câmara Municipal de São Paulo
Milton Leite


O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) é alvo de um mandado de prisão na Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). A ação investiga uma suposta infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital)  no sistema de transporte coletivo e em estruturas do poder público. As informações são da CNN Brasil.

Ao todo, são cumpridos 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em cidades como São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. Segundo a CNN, nove suspeitos haviam sido presos até a atualização da manhã desta quinta-feira.

Entre os alvos estão também Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e Danilo Marco Morgado Silva, candidato a deputado estadual pelo PL. A investigação apura possíveis relações entre integrantes da organização criminosa, empresas de transporte, agentes públicos, advogados e políticos.

O que a operação investiga

De acordo com os investigadores, a apuração aponta para uma possível atuação do PCC no setor de transporte coletivo de São Paulo.

Segundo o Ministério Público, pelo menos 12 das 22 empresas que operam no transporte coletivo da capital paulista seriam, em tese, controladas direta ou indiretamente pela facção.

A suspeita é de que o esquema ultrapassaria a atuação tradicional do crime organizado e envolveria empresas, contratos públicos, articulações políticas e lavagem de dinheiro.

A operação desta quinta-feira é um desdobramento da Operação Decúrio, realizada em agosto de 2024. Naquela investigação, as autoridades identificaram uma estrutura de comunicação entre integrantes do PCC, inclusive com participação de advogados, segundo os investigadores.

Nesta nova etapa, a apuração passou a concentrar-se também na possível influência da organização criminosa sobre empresas de transporte coletivo.

Qual é a suspeita envolvendo Milton Leite?

Milton Leite é citado na investigação como alguém que teria participação na administração de empresas que, segundo as autoridades, seriam controladas pelo PCC.

A CNN Brasil informou que o ex-vereador é citado nominalmente no material investigativo como responsável direto pela operação de algumas dessas empresas.

As autoridades também mencionam declarações de policiais militares apresentadas em procedimento no Tribunal de Justiça Militar segundo as quais Milton Leite seria o “dono de fato” da empresa Transwolf.

Essas informações fazem parte dos elementos reunidos durante a investigação e não representam, por si só, uma condenação ou conclusão definitiva sobre a responsabilidade criminal do ex-vereador.

Ex-presidente da SPTrans também é alvo

Outro nome de destaque entre os alvos é Levi dos Santos Oliveira, que presidiu a SPTrans, empresa responsável pela gestão do transporte público da cidade de São Paulo.

Segundo o Ministério Público, Levi é apontado como alguém que trataria de interesses do PCC junto a empresas de transporte. A acusação também é baseada nos elementos reunidos durante a investigação.

A operação busca atingir uma estrutura que, segundo os investigadores, teria conexões entre o crime organizado e o setor de transporte.

Investigação também mira campanhas políticas

Além do transporte coletivo, a investigação aponta para uma possível atuação do PCC no financiamento de campanhas políticas nas eleições municipais de 2024.

Entre os alvos está Danilo Marco Morgado Silva, que foi candidato à Prefeitura de Praia Grande em 2024 e atualmente disputa uma vaga de deputado estadual pelo PL.

Segundo os investigadores, haveria indícios de vínculo entre Morgado e a organização criminosa e de possível financiamento de sua campanha pelo PCC. Morgado foi preso durante a operação.

A defesa do candidato, por sua vez, contestou a prisão e afirmou que ele teria sido alvo de uma ação que considera uma forma de perseguição. As alegações fazem parte do posicionamento da defesa e ainda devem ser analisadas pelas autoridades.

Quem mais é alvo da operação?

A investigação cita diferentes pessoas que, segundo as autoridades, teriam funções distintas dentro da estrutura investigada.

Entre elas estão Carla de Paula Muller, apontada como esposa de Antônio José Muller Junior, conhecido como “Granada”, integrante do PCC que está preso; advogados suspeitos de atuar em favor da organização; empresários do setor de transporte; e pessoas apontadas como intermediárias entre integrantes da facção e agentes públicos.

Também estão entre os investigados Julio Salvador Filho, apontado como diretor da A2 Transportes, e Paulo Sirqueira Korek Farias, empresário ligado a empresas de transporte.

As descrições dos investigados foram elaboradas a partir dos elementos apresentados pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. A própria decisão judicial ressalta que as informações são analisadas em juízo de cognição sumária, sem antecipar uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade penal dos envolvidos.

O que dizem Milton Leite e a Prefeitura de SP?

Milton Leite afirmou que não está foragido e que está viajando. O ex-vereador declarou que pretende se apresentar às autoridades em até 24 horas e que provará sua inocência.

“Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações.”

A Prefeitura de São Paulo afirmou que a intervenção determinada na Transwolff, em abril de 2024, foi uma medida adotada para proteger o sistema municipal de transporte. Segundo a administração, também houve intervenção na UPBus e abertura de processo pela Controladoria-Geral do Município.

A Prefeitura declarou ainda que colabora com as investigações do Ministério Público e da Polícia Civil e fornece documentos e esclarecimentos solicitados.

A CNN Brasil informou que tenta localizar a defesa dos demais investigados.


Operação Vectura Corrupta

A Operação Vectura Corrupta é uma ação da Polícia Civil de São Paulo e do Ministério Público paulista que investiga a possível infiltração do PCC no transporte coletivo e em estruturas do poder público.

A operação ocorre em meio a outras investigações recentes sobre a presença da organização criminosa no setor de ônibus da capital.

Em junho, por exemplo, a Operação Última Parada revelou uma investigação sobre a utilização de uma empresa de transporte coletivo como estrutura para lavagem de dinheiro atribuída ao PCC, segundo o Ministério Público.

No caso da Vectura Corrupta, as autoridades investigam especificamente uma estrutura que envolveria empresas de transporte, contratos públicos, agentes ligados ao setor, advogados e articulações políticas.

Até o momento, as suspeitas apresentadas na investigação ainda dependem do andamento do processo e da análise judicial. Os investigados têm direito à defesa e à presunção de inocência.

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