Julgamento do núcleo crucial da trama golpista, em setembro
Gustavo Moreno/STF
Julgamento do núcleo crucial da trama golpista, em setembro

As defesas dos réus do núcleo 1, ou núcleo crucial, da trama golpista, condenados no julgamento do dia 11 de setembro, têm até as 23h59 desta segunda-feira (24) para apresentar novos recursos à Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) contra as condenações.

O general e ex-ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, um dos condenados pelo STF, apresentou nesta segunda novos embargos de declaração. Ele foi condenado a 19 anos de prisão.

A Primeira Turma do STF já rejeitou os primeiros embargos de declaração das defesas apresentados na semana passada.

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Os embargos de declaração são um tipo de recurso para alterar pontos específicos da sentença, mas geralmente não reduzem o tamanho da pena.

Os advogados podem, em tese, apresentar nos próximos dias outros recursos, os chamados embargos infringentes, que tentam alterar o tempo da pena.

No entanto, no entendimento no STF, embargos infringentes só poderiam ser apresentados se os condenados tivessem obtido pelo menos dois votos pela absolvição durante o julgamento, o que não ocorreu. Apenas o ministro Luiz Fux votou contra a condenação.

A defesa do ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, já informou ao STF que pretende apresentar este recurso.

Caso o ministro Alexandre de Moraes entenda que as defesas estão apenas tentando adiar a conclusão da ação penal com os recursos, ele pode determinar o trânsito em julgado e o início da execução das penas.

Os réus condenados

Entre os condenados em 11 de setembro que têm até hoje para apresentar recurso está o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e 3 meses, sendo 24 anos e 9 meses são de reclusão (pena para crimes de regime fechado) e 2 anos e 6 meses de detenção (pena para crimes de regime semiaberto ou aberto).

Bolsonaro cumpre prisão preventiva na Superintendência da Polícia Federal de Brasília, desde o último sábado (22). Ele tentou remover a tornozeleira eletrônica que utilizava durante prisão domiciliar no mesmo dia em que seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foi às redes sociais convocar apoiadores para uma vigília nos arredores de sua residência.

O ministro Alexandre de Moraes entendeu que havia risco de fuga e determinou a prisão preventiva, que nesta segunda-feira  foi validada, por unanimidade, pela Primeira Turma da Corte.

Outro condenado, agora foragido, é Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e deputado federal.

Condenado a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão, Ramagem deixou o país, mesmo proibido pela Justiça, e teve a prisão decretada.

Neste domingo (23), sua esposa postou vídeo nas redes sociais mostrando o ex-diretor da Abin encontrando a família no aeroporto de Miami, nos Estados Unidos.


A Turma também determinou a perda de mandato do parlamentar.
Além dos dois, também podem entregar novos embargos de declaração, Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, condenado a 24 anos de prisão; Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do Distrito Federal, condenado a 24 anos de prisão; Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional, condenado a 21 anos, sendo 18 anos e 11 meses de reclusão (pena para crimes de regime fechado) e 2 anos e 1 mês de detenção (pena para crimes de regime semiaberto ou aberto), e Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil, condenado a 26 anos, sendo 24 anos de reclusão (pena para crimes de regime fechado) e 2 anos de detenção (pena para crimes de regime semiaberto ou aberto).

Outro condenado, Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência e delator da trama golpista, pegou uma pena única de até 2 anos de prisão em regime aberto, em razão do acordo de colaboração premiada.

Cid não recorreu da decisão e, n o início de novembro, começou a cumprir a sentença.

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