Rocha desabou em Capitólio (MG)
Montagem iG / Fotos: reprodução Twitter
Rocha desabou em Capitólio (MG)

A Polícia Civil de Minas Gerais apresentou, nesta sexta-feira (4), a conclusão do inquérito sobre a tragédia de janeiro deste ano no Largo de Furnas, em Capitólio (MG), que deixou dez mortos após o tombamento de um bloco de rocha sobre uma lancha turística no local . Cercada de expectativas, no entanto, a investigação, menos de dois meses depois, concluiu que não houve interferência humana no incidente; nenhum órgão ou indivíduo foi indiciado pelo que aconteceu.

O delegado da cidade de Passos, Marcos Pimenta, que esteve à frente das investigações, afirmou que até foram encontradas algumas irregularidades em empreendimentos no local, mas que não restou comprovado que nenhuma delas tenha tido conexão com a queda da rocha.

"Face à conclusão do perito, nós não indiciamos eventuais responsáveis por essa queda, uma queda natural. Entretanto, a Polícia Civil preparou algumas sugestões, que serão encaminhadas aos ministérios públicos Federal e Estadual. Durante todo este processo nós nos reunimos com eles", introduziu o delegado Marcos Pimenta. "Não houve esse nexo causal apontado nas perícias e, além disso, acompanhamos todos os técnicos de fora. Todos que nós ouvimos foram uníssonos em apontar que foi evento natural."

Segundo apresentação feita pelo perito criminal Rogério Shibata, o desmoronamento da rocha está ligado diretamente ao processo natural de remodelamento de relevo, segundo o documento, "processo comum em toda a região de Capitólio ".

"Não foi um evento que ocorreu e propiciou esse tombamento. Ocorreu uma sequência de eventos que culminaram com a queda desse bloco durante vários anos", comentou Shibata, que alertou que tombamentos como o que aconteceu devem se repetir em outras partes da região, que devem ser detectadas e isoladas.

Como ninguém foi indiciado pelas dez mortes , o único movimento relevante anunciado pela polícia nesta sexta-feira foi em relação a um ofício com sugestões para prevenção de novos acidentes, que será entregue a autoridades e entidades ligadas à região de Capitólio .

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"Entendemos por bem que podemos contribuir para melhoria da segurança de Capitólio", acrescentou Pimenta. "É importante salientar que durante toda a investigação também foi apurado que a Defesa Civil emitiu um alerta 2 horas antes das fortes chuvas, o que por si só já poderia ter impedido o fluxo de embarcações no local , já que é de responsabilidade do piloto averiguar as condições climáticas e os alertas feitos pela Defesa Civil."


Veja as dez sugestões anexadas ao inquérito da Polícia Civil:

  1. Realização de mapeamento de todas as zonas de risco (movimento de massas) por geólogos e/ou outros profissionais especializados no ramo, e sua demarcação em campo e em planta;
  2. Redução no número de embarcações nos cânions, as quais deverão apenas contemplar o local, em velocidade baixa e sem uso de aparelho sonoro;
  3. Implementação de selo de identificação nas embarcações;
  4. Identificação de todos os turistas que utilizem embarcações, sendo que o controle/cadastro deverá ser armazenado/disponibilizado nos respectivos píeres;
  5. Uso obrigatório de colete salva-vidas (em toda represa) e capacete na região dos cânions e áreas semelhantes;
  6. Maior integração entre os órgãos/instituições responsáveis pela concessão e fiscalização de empreendimentos turísticos;
  7. Proibição de passeios turísticos na região quando da comunicação de advertência pela Defesa Civil;
  8. Fortalecimento das fiscalizações de engenharia, geologia e ambiental;
  9. Exigência de estudo de risco e respectiva contenção para os empreendimentos turísticos;
  10. Efetiva participação de Furnas e da Concessionária Nascentes das Gerais na adoção de medidas preventivas de segurança.

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