Ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite
Afonso Braga/Câmara Municipal de São Paulo
Ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite

O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo  Milton Leite foi  transferido da Cadeia Pública de Mogi das Cruzes para o utra unidade prisional na manhã desta terça-feira (20). A mudança ocorre em meio a uma investigação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) sobre suspeitas de regalias concedidas ao político durante o período em que esteve detido.

Segundo informações divulgadas nesta terça-feira, Leite foi levado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos. A transferência aconteceu após buscas realizadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que apura possíveis irregularidades na custódia de presos em Mogi das Cruzes.

A defesa do ex-parlamentar nega que ele tenha recebido tratamento privilegiado e afirma que o político está submetido às mesmas regras, rotinas e restrições aplicadas aos demais detentos.

Investigação aponta possíveis regalias

A apuração ganhou força na sexta-feira (16), quando o Gaeco cumpriu três mandados de busca e apreensão na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, no 1º Distrito Policial do município e em um endereço residencial.

A investigação, chamada Operação Custódia (In)Fiel, busca esclarecer se presos provisórios receberam benefícios incompatíveis com as regras do sistema prisional.

De acordo com o Ministério Público, havia um fluxo frequente de visitantes na unidade, incluindo pessoas sem vínculo familiar com os detentos. Os investigadores também apuram a entrada de visitantes fora dos dias e horários permitidos e outras possíveis vantagens concedidas durante o período de custódia.

Dinheiro foi apreendido com carcereiro

Durante as buscas, os investigadores encontraram aproximadamente R$ 150 mil e US$ 10 mil na casa de um carcereiro. Outros R$ 4 mil foram localizados nos bolsos do agente durante a operação na unidade prisional.

A investigação apura se o dinheiro tem relação com a suspeita de favorecimento a presos. Os fatos podem configurar, em tese, crimes como corrupção ativa, corrupção passiva e prevaricação.

As suspeitas também levaram ao afastamento de três delegados, um investigador e um carcereiro que atuavam em Mogi das Cruzes. As medidas buscam permitir que as apurações avancem sem possíveis interferências.

Milton Leite teria saído da cadeia para almoçar

Entre os episódios investigados está a suspeita de que Milton Leite tenha deixado a unidade prisional para almoçar fora e depois retornado ao local.

Segundo informações divulgadas pelo Ministério Público, um vídeo registraria a saída e o retorno do ex-vereador. Um carcereiro também teria confirmado o episódio aos investigadores.

A Promotoria apura ainda possíveis visitas irregulares de políticos e outras pessoas ao ex-presidente da Câmara. As circunstâncias desses encontros e a eventual participação de agentes públicos estão entre os pontos que precisam ser esclarecidos.

Ex-presidente da Câmara está preso desde setembro

Milton Leite foi preso em setembro, no âmbito da Operação Vectura Corrupta, que investiga suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de transporte coletivo e em estruturas do poder público em São Paulo.

O ex-parlamentar é investigado por uma possível ligação com empresas de ônibus e por suspeitas relacionadas à atuação da facção criminosa no setor. Ele nega envolvimento com o PCC e irregularidades.

Em outubro, a Justiça prorrogou por mais 30 dias a prisão temporária de Leite, segundo informações divulgadas pela imprensa.

As investigações sobre a suposta ligação com o crime organizado e sobre possíveis regalias na prisão são apurações distintas, embora envolvam o mesmo investigado.

Defesa nega tratamento diferenciado

A defesa de Milton Leite afirma que o ex-vereador não recebeu nenhum tipo de regalia na unidade prisional e que sempre esteve submetido às mesmas normas aplicadas aos demais custodiados.

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