Régua em estação fluviométrica da SGB
Divulgação/SGB
Régua em estação fluviométrica da SGB

As enchentes de 2024 alteraram o leito, as margens e outras características dos rios do Rio Grande do Sul, além de provocarem mudanças nas áreas urbanas atingidas pelo regime das águas. Com isso, equipes do Serviço Geológico Brasileiro (SGB) estão atualizando as cotas de inundação dos rios Pardinho, Jacuí e Taquari. A revisão pode alterar a forma com que alertas e previsões de inundações são feitas para pelo menos 15 cidades gaúchas.

A informação foi confirmada ao iG por Andrea Germano, chefe do Departamento de Hidrologia do SGB. Ela explicou que os eventos extremos das enchentes de 2024 alteraram o leito, as margens e outras características dos rios do Rio Grande do Sul.

Como consequência, as áreas sujeitas a inundações podem não ser mais as mesmas, além de que novos locais podem estar ocupados ou desocupados, necessitando de uma atualização para corresponderem à realidade do cenário gaúcho.

Assegurar que cada centímetro medido em campo corresponda com rigor à realidade do nível do rio e à cota real de inundação que afeta as cidades e populações locais        Andrea Germano, chefe do Departamento de Hidrologia do SGB, em nota ao iG


As equipes trabalham desde o dia 08 de setembro e devem finalizar o levantamento para validar as cotas de inundação até o dia 18. O trabalho é realizado em conjunto com as Defesas Civis Municipais. As seguintes cidades podem passar por atualizações:

  • Cachoeira do Sul,
  • Santa Cruz do Sul,
  • Vera Cruz,
  • São Jerônimo,
  • Rio Pardo,
  • Taquari,
  • Santa Tereza,
  • Muçum,
  • Encantado,
  • Marques de Souza,
  • Travesseiro,
  • Venâncio Aires,
  • Bom Retiro do Sul,
  • Lajeado,
  • Estrela.


Nível que dispara alerta pode ser revisto

Ainda de acordo com Andrea, os novos dados podem levar à revisão dos níveis de água utilizados como referência para os alertas de inundação nas réguas de medição dos rios.

O SGB utiliza três tipos de cotas para os avisos sobre bacias hidrográficas:

  • cota de atenção (possibilidade de inundação à frente);
  • cota de alerta (chance elevada de inundação)
  • cota de inundação (quando um primeiro dano é observado de fato no município, como uma rua alagada).

Quando as águas avançam de forma intensa e provocam danos mais generalizados, há a cota de inundação severa, mas esta já não serviria como aviso. Há, ainda, a cota de “seca extrema”.

As novas medições devem aferir o ponto exato (na régua de medição mesmo) em que a água começa a causar danos, como alagamento de ruas, residências e infraestruturas críticas.

Por outro lado, caso as cidades tenham removido moradores de locais alagáveis, o nível para emissão de alerta pode ser elevado. Caso novas populações tenham ocupado ou adentrado áreas alagáveis, a cota pode ser reduzida para antecipar o aviso aos moradores.

Ou seja, espera-se que o sistema da SGB se torne mais preciso, tenha mais capacidade de anteceder eventos e acompanhe a subsidie diretamente as autoridades municipais e estaduais nas decisões de evacuação, logística de socorro, prevenção e planejamento urbano.

Por que essa nova coleta está acontecendo agora?

Ao iG, a chefe do Departamento de Hidrologia do SGB afirmou que havia uma necessidade de readequação após as enchentes de 2024, atividade que se somou aos trabalhos rotineiros e contínuos do SGB.

Ainda, esclareceu que é preciso assegurar os marcos para novos episódios de chuvas.

A atualização realizada neste momento assegura que os limiares de alerta estejam devidamente alinhados à nova realidade dos rios antes dos próximos períodos chuvosos, mantendo a confiabilidade dos Sistemas de Alerta Hidrológico      Andrea Germano, chefe do Departamento de Hidrologia do SGB, em nota ao iG


O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) recentemente emitiu um boletim sobre os efeitos do El Niño no Brasil, onde prevê aumento do volume de chuvas no próximo trimestre para a Região Sul.

Isso não significa que eventos extremos se repitam, mas há possibilidade de que novas cheias aconteçam em 2026.

O que são as cotas de inundação?

Cotas de inundação são os níveis de referência da água dos rios, medidas em réguas de estações fluviométricas do SGB/ANA. Elas estão associadas ao começo dos danos provocados por inundações.

A medição permite relacionar qual a altura registrada no rio no momento em que águas atingem ruas, casas, áreas urbanizadas, etc. Essas informações são utilizadas para que órgãos públicos monitorem e ajam em caso de cheias.

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