
Dez suspeitos foram presos nesta segunda-feira (03) em operação policial conjunta entre as policias Civil e Rodoviária Federal do Paraná. A investigação acredita que todos atuavam em organização criminosa especializada em roubos de carga na BR-116 (Rodovia Régis Bittencourt) com extrema violência entre os estados do Paraná e de São Paulo.
As investigações começaram em 2025, mas a polícia acredita que o grupo já atuava desde o final de 2024, conforme explicou o delegado André Feltes, da Polícia Civil do Paraná (PCPR). Segundo as apurações, os suspeitos atuaram em pelo menos 20 crimes entre maio de 2025 e janeiro de 2026.Os principais trechos de atuação ficam em Campina Grande do Sul (PR) e na divisa com São Paulo. Entre os dez presos, quatro já estavam no sistema prisional e outros seis foram localizados na ação desta segunda (03), entre Curitiba, Almirante Tamandaré (PR), São José dos Pinhais (PR), Campina Grande do Sul (PR) e Fazenda Rio Grande (PR).Um investigado segue foragido. Nem os nomes nem as identidades foram divulgadas, contudo, a polícia acredita que um dos indivíduos presos era um dos líderes da organização.Ele e outro “colega”, ambos presos nesta fase da operação, teriam relação com um crime de janeiro de 2026 que matou seis pessoas em uma van, também na BR-116.
Esta foi a segunda fase da operação. A primeira ocorreu em maio de 2025. À época, 16 suspeitos foram presos. Depois disso, com novas provas e troca de informações entre PCPR, PRF e Guardas Municipais, a polícia identificou outros integrantes e pediu novos mandados.
Os investigados respondem pelos crimes de roubo circunstanciado, adulteração de sinal identificador de veículo automotor e organização criminosa.
Alta organização envolvia aproveitar acidentes
Segundo as apurações das polícias, o grupo era altamente estruturado e tinha uma série de procedimentos e estratégias para extorquir as cargas dos caminhões.
As investigações demonstraram que os criminosos monitoravam o tráfego durante a noite e escolhiam caminhões de forma oportunista, principalmente veículos baú e frigoríficos. Eles utilizavam diversos automóveis para acompanhar as vítimas e realizavam o transbordo das cargas em estradas vicinais com baixa cobertura de sinal de telefonia, dificultando a localização dos veículos roubados André Feltes, delegado da PCPR
Ainda segundo o delegado, os suspeitos também aproveitavam acidentes na rodovia para render os envolvidos e tomar posse de mercadorias. Ou seja, segundo as apurações, o grupo agia pelo menos das seguintes formas:
- saíam à noite em dois ou três carros monitorando a rodovia;
- escolhiam caminhões, principalmente baús e frigoríficos;
- aproximavam os veículos do caminhão em movimento;
- efetuavam disparos contra o para-brisa para obrigar o motorista a parar;
- rendiam as vítimas armados;
- levavam o caminhão para estradas sem sinal de celular;
- faziam o transbordo da carga para outros caminhões;
- escondiam os produtos antes da revenda.
Os equipamentos utilizados nas ações criminais também chamaram atenção da polícia. Além de balaclava e coletes balísticos, o grupo teria acesso a armamentos de uso restrito de alto calibre e se organizava com rádios comunicadores e veículos adulterados (identificação falsificada para despistar investigação policial).
A polícia ainda não concluiu todos detalhes quanto à destinação das cargas. De acordo com o delegado Feltes, parte delas era vendida na própria região, enquanto outra parte saía do Paraná.
As investigações devem seguir para identificar outros possíveis integrantes da organização criminosa, bem como os responsáveis pela receptação e comercialização das cargas roubadas.
Por que a BR-116?
Conforme explicou Mateus Tozetto, do Núcleo de Comando de operações especiais da PRF , a BR-116 era o “palco” das atividades pois é um dos principais corredores logísticos do país inteiro.
Por ela, passam cargas que transitam entre o Sul e o Sudeste (com alto fluxo de transportes), mercadorias com destino ao Mercosul e produtos industriais e agrícolas de alto valor.
Ou seja, tanto o alto fluxo de caminhões quanto o valor das mercadorias torna a Régis Bittencourt atrativa para a organização criminosa.