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Ações que contestam a nomeação do petista estavam na pauta da Corte desta quarta-feira (20); ministro Ricardo Lewandowski não anunciou a data para o novo julgamento

Sem mais processos na pauta, mais alta Corte encerrou sessão plenária após adiar julgamento
Rosinei Coutinho/SCO/STF - 14.4.16
Sem mais processos na pauta, mais alta Corte encerrou sessão plenária após adiar julgamento

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, decidiu, nesta quarta-feira (20), adiar o julgamento que irá decidir se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode assumir a chefia da Casa Civil no governo Dilma Rousseff.

As ações que contestam a nomeação de Lula serão julgadas em nova sessão destinada também a discutir as arguições de descumprimento de preceito fundamental (ADPFs) sobre o tema, que estão sobre relatoria do ministro Teori Zavascki – autor do pedido para adiar o julgamento desta quarta-feira (20).

Apesar de informalmente o petista já atuar nos bastidores nas articulações políticas, os ministros da Corte devem discutir se a nomeação de Lula foi contaminada pela tentativa de conceder ao ex-presidente o foro privilegiado, o que pode levar a nomeação a ser considerada um ato com desvio de finalidade, ou se Dilma tem a possibilidade de nomeá-lo para trabalhar no Planalto.

A perspectiva é de que o debate gere uma divisão na Corte. Três dos 11 ministros da composição atual foram indicados por Lula para o Tribunal e outros cinco, por Dilma.

O caso está sob relatoria do ministro Gilmar Mendes, tido como maior crítico ao governo atual dentro da Corte. Há mais de um mês, a posse de Lula na Casa Civil foi suspensa por ele em decisão liminar que atendeu a mandados de segurança propostos pelo PSDB e pelo PPS. Na ocasião, o ministro entendeu que o petista aceitou o cargo para ser detentor de foro privilegiado e, assim, escapar de uma investigação por parte do juiz federal Sérgio Moro, condutor da Operação Lava Jato na primeira instância, o que classificou como uma "obstrução ao progresso das medidas judiciais".

A conversa ao telefone interceptada pela Lava Jato, na qual Dilma diz a Lula que enviaria o termo de posse ao ex-presidente antes da cerimônia para assumir o cargo é usada por Mendes para corroborar a decisão.

Em conversa com Lula, Dilma Rousseff diz que enviaria termo de posse antes da cerimônia
José Cruz/ Agência Brasil
Em conversa com Lula, Dilma Rousseff diz que enviaria termo de posse antes da cerimônia

Até agora, parte dos ministros admite possibilidade de seguir o posicionamento de Mendes no julgamento desta quarta-feira. Há uma corrente no Tribunal, no entanto, que levanta questionamentos sobre a possibilidade de intervenção da Corte no ato político de nomeação de ministro por parte da Presidência da República.

Um dos ministros admite que seria saudável que os magistrados conversassem sobre a questão para evitar ruídos no julgamento. Desde segunda-feira (18), o advogado de Lula fez uma romaria por gabinetes de ministros do STF.

A expectativa de integrantes do Supremo recai sobre o voto do ministro Dias Toffoli, que foi advogado-geral da União no governo Lula até ser indicado pelo petista ao STF. Ele, no entanto, não esconde em conversas reservadas descontentamento com a gestão da presidente Dilma.

O parecer do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, é pela anulação do decreto da presidente que deu posse ao seu padrinho. Segundo o PGR, a nomeação do petista é "mais uma iniciativa" praticada com intenção de "tumultuar o andamento das investigações criminais". "Os fatos que antecederam e se seguiram à nomeação e posse de Luiz Inácio Lula da Silva no cargo de ministro-chefe da Casa Civil corroboram a conclusão de desvio de finalidade do ato", escreveu o procurador-geral.

Corte acovardada
Quando os áudios do ex-presidente foram divulgados por Moro, o decano do Tribunal, ministro Celso de Mello, deu uma resposta ao ex-presidente dizendo, em plenário, que a afirmação foi "leviana". Em uma das conversas grampeadas pela Lava Jato, Lula afirma que "temos uma Suprema Corte totalmente acovardada".

"Esse insulto traduz reação torpe e indigna, típica de mentes autocráticas e arrogantes que não conseguem esconder o temor pela prevalência do império da lei e o receio pela atuação firme justa, impessoal e isenta de juízes", criticou Celso de Mello na ocasião. Os ministros do Tribunal se incomodaram com as declarações do ex-presidente.

*Com informações do Estadão Conteúdo

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