Vaticano realiza encontro para discutir abuso de menores por sacerdotes

Cardeal defende forma que papa lidou com casos de pedofilia, mas reconhece a inadequação de uma 'resposta exclusivamente canônica'

iG São Paulo |

Líderes da Igreja Católica iniciaram nesta segunda-feira um simpósio de quatro dias em Roma para discutir como a igreja deveria combater o abuso sexual de menores por padres.

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Vaticano enfrenta pressão para lidar com vítimas de abuso sexual

Em comunicado, o papa Bento 16 disse que "a cura para as vítimas" deveria ser uma grande preocupação, bem como a "profunda renovação da Igreja em todos os níveis".

A reunião tem como objetivo estabelecer uma orientação para combater padres pedófilos e ajudar a polícia a reprimir esse tipo de crime. Os grupos de vítimas, que não foram convidados a participar da reunião, desqualificaram o encontro.

Bispos de mais de 100 países e 32 chefes de ordens religiosas estão entre aqueles que participarão dos quatro dias de discussões. O monsenhor Charles Scicluna, a principal autoridade do Vaticano encarregada de investigar os casos de abuso sexual de crianças por padres católicos, disse que já foi enviada uma "mensagem bem clara" aos bispos de que eles devem seguir a lei civil em casos de pedofilia.

"Quando o crime acontecer e as autoridades civis justificadamente pedir por cooperação e exigir cooperação, a igreja não pode negar. Nosso forte conselho é seguir a lei do país", disse.

O encontro consideraria maneiras de ajudar os bispos e outros funcionários da igreja com o processo, incluindo o estabelecimento de um centro na internet com conselhos disponíveis em vários idiomas.

Participando da reunião, um importante cardeal americano defendeu a forma com que o papa Bento 16 lidou com os casos de abuso, dizendo que ele deveria ser elogiado e não criticcado.

O cardeal William Levada disse que Bento 16 foi "instrumental" na implantação de normas para reprimir a pedofilia do clero, bem como em apoiar os esforços dos bispos dos Estados Unidos para combater o abuso.

Em seu pronunciamento, Levada reconheceu algumas deficiências na forma com que a igreja lidou com o caso. "Os mais de 4 mil casos de abuso sexual contra menores reportados ao CDF (congregação) na década passada revelan, por outro lado, a inadequação de uma resposta exclusivamente canônica (lei canônica) à essa tragédia, e do outro, a necessidade de uma verdadeira multifacetada resposta", disse.

O Vaticano tem enfrentado intensa pressão para voltar sua atenção na proteção das vítimas de abuso sexual em vez de, como no passado, sair na defesa de padres acusados desses crimes.

Apesar uma das vítimas - Marie Collins, da Irlanda - foi convidada para participar do simpósio. Ela disse que sua decisão em comparecer não foi fácil. "Apesar das desculpas pelas ações dos agressores, tem gavido poucas desculpas pela proteção dada a eles por seus superiores", disse ela, que foi estuprada aos 13 anos por um capelão de um hospital em Dublin.

Com AP e BBC

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