Restos mortais de soldados dos EUA foram enterrados em aterro secreto

Segundo o Washington Post, pelo menos 240 soldados tiveram os restos cremados, incinerados e depositados em aterro em Virgínia

iG São Paulo |

Os restos mortais de ao menos 274 militares americanos foram enterrados em um aterro na Virgínia, a leste do país, informou nesta quinta-feira o jornal The Washington Post, citando fontes militares.

As famílias dos militares mortos, que autorizaram a Força Aérea a dispor dos restos de seus familiares de "maneira digna", não foram informadas dessa prática, realizada até 2008, segundo o jornal. Não há planos, segundo eles, de alertar essas famílias agora.

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AP
Soldados carregam caixão de militar morto na Província de Ghazni, no Afeganistão (22/6)
A Força Aérea afirmou que não pode estimar quantos soldados tiveram seus corpos enterrados nessas condições. A prática foi revelada há um mês também pelo The Washington Post que tem um documento do caso de um soldado cujos remanescentes foram enviados para o aterro sanitário King George County, em Virgínia.

Esses enterros em aterros foram ocultados de altos funcionários do Pentágono em uma missão de avaliação realizada em 2008 sobre as práticas de cremação na base aérea de Dover, em Delaware.

A Força Aérea e o Pentágono disseram no mês passado que determinar quantos restos mortais foram enviados ao aterro requereria uma pesquisa em registros de mais de 6,3 mil soldados, cujos remanescentes passaram pelo morturário de Dover desde 2001, a maioria vinda do Afeganistão e do Iraque.

"Isso requeriria um esforço massivo e tempo em excesso para voltarmos aos registros e pesquisar cada um individualmente", Jo Ann Rooney, secretária do Pentágono, escreveu para o deputado Rush D. Hol, que pressiona o órgão por respostas em nome de uma constituinte cujo marido foi morto no Iraque. Ele acusou a Força Aérea e o Departamento de Defesa de esconderem a verdade.

Os líderes da Força Aérea disseram que não tiveram intenção de enganar ninguém. "Absolutamente não", disse o tenente-general Darrell D. Jones, vice-chefe da equipe da Força Aérea.

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Essa semana, após a pressão intensa pelas informações contidas no banco de dados do mortuário de Dover, a Força Aérea elaborou um cálculo baseado nesses registros. Ele mostra que 976 frangmentos de 274 soldados foram cremados, incinerados e levados para o aterro entre 2004 e 2008.

Um adicional de 1.762 restos não indentificados foram coletados dos campos de batalha e dispostos da mesma forma, segundo a Força Aérea. Esses fragmentos estavam em péssimo estado para permitir testes de DNA para identificá-los. O total de fragmentos jogados na vala excedem os 2.700.

Uma investigação federal paralela inciada no mês passado, descobriu um "péssimo tratamento" com os remanescentes e documentou como partes de corpos recuperados em explosões de bombas eram empilhadas em refrigeradores de necrotérios durante meses ou anos antes de serem identificados e eliminados.

Os oficiais da Força Aérea dizem não saber quando exatamente essa prática começou, segundo o The Washington Post. Eles afirmam que seu primeiro registro é de 23 de fevereiro de 2004, sendo que esses dados começaram a ser documentados em 2003. A Força Aérea disse que os líderes do mortuário, então, decidiram encerrar a prática em maio de 2008, pois acreditavam que "havia uma maneira melhor de fazer isso".

As partes não identificadas nem reivindicadas são agora cremadas e as cinzas são lançadas ao mar.

Jones afirmou que a Força Aérea não precisaria informar os parentes dos soldados cujos restos mortais foram enterrados no aterro, porque eles teriam assinado formulários dizendo que não queriam ser notificados se restos adicionais fossem identificados. Mas os formulários também exigiam que os militares deveriam fazer um "enterro apropriado", dos remanescentes subsequentes.

Questionado pelo Washington Post se o aterro era um destino final digno para se descansar em paz, Jones disse: "A maneira que fazemos agora é muito melhor."

Uma viúva que pressionou a direção do mortuário por quatro anos para saber qual o destino dos restos de seu marido, morto no Iraque em 2006, teve uma resposta. Depois de muitas ligações e cartas, ela recebeu uma notificação, assinada pelo diretor do mortuário, Trevor Dean, dizendo que os militares tinham cremado e incinerado os restos mortais do marido dela e tinha os enterrado no aterro King George.

Em julho, ele a informou também, por e-mail, que a prática de enterrar restos mortais em aterros começou pelo menos em 1996, quando ele começou a trabalhar em Dover.

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Em maio de 2008, o então secretário de Defesa Robert Gates ordenou uma revisão detalhada das políticas em Dover depois que um funcionário do Exército afirmou que o mortuário cremou um colega morto em uma câmara crematória onde animais de estimação era incinerados.

A equipe de revisão ordenou que mudanças deveriam ser feitas, enfatizando que precisavam garantir os mais altos níveis de dignidade e honra. Uma cópia do relatório obtida pelo The Washington Post, entretanto, não mencionava a prática do enterro em aterro.

Com AFP

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