Jornais e emissoras de televisão exibem fotografias e imagens do corpo do líder guerrilheiro e especulam sobre impacto de sua morte para o grupo armado

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Poucas horas depois do anúncio da morte de Alfonso Cano, número um das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o assunto se transformou no principal destaque da imprensa colombiana. Jornais, agências de notícia e emissoras de televisão exibem fotografias e imagens do corpo do guerrilheiro morto e especulam sobre o impacto de sua morte para o grupo armado e possíveis nomes para assumir o lugar deixado por Cano.

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Morte de autoridade máxima das Farc se transformou no principal destaque da imprensa colombiana
AP
Morte de autoridade máxima das Farc se transformou no principal destaque da imprensa colombiana

Nas redes sociais, o tema também é o mais comentado deste sábado. No Twitter o assunto está no topo das discussões dos internautas. Grande parte das manifestações é de comemoração. "Parabéns ao Exército pela cabeça de Cano", ou "um terrorista a menos no mundo" estão entre as comemorações postadas.

Outros, mais cautelosos, lembram que "ainda existem vários sequestrados em poder da guerrilha" e que "as Farc não acabam enquanto não houver negociação de paz". Analistas ouvidos pela BBC Brasil avaliam que a postura triunfalista, tanto na cobertura da imprensa como nas manifestações da opinião pública refletem os conceitos que foram construídos pela política de segurança no governo anterior, de Álvaro Uribe, e mantida por Juan Manuel Santos.

"Desse ponto de vista cimentado por Uribe, de que as Farc são um grupo terrorista que precisa ser eliminado, a morte de Alfonso Cano é muito significativa. Representa o triunfo da política de segurança e da força militar do governo", disse o escritor e especialista em conflitos, Victor de Currea Lugo. Segundo ele, outro fator que contribui para que a opinião pública comemore a queda de Cano é o fato de a guerrilha ter se afastado de seus ideais políticos e se envolvido com o narcotráfico e ações terroristas.

"A ideia das Farc como movimento de esquerda e de libertação tinha simpatizantes. Existia um diálogo entre eles e a sociedade. Mas com o distanciamento da guerrilha desses valores, o envolvimento com o narcotráfico, sequestros, uso de granadas e minas terrestres contra civis, a sociedade civil passou a vê-los de maneira negativa", afirmou.

Operação

O líder das Farc, Alfonso Cano, foi morto em uma operação militar realizada em um acampamento do grupo. Com cautela o analista afirma que apesar da sensação de vitória que a sociedade vive, o governo de Santos tem o desafio de tirar proveito dessa conquista sem desqualificar o potencial de reação das Farc.

"A morte de Cano é uma resposta de Santos a setores da sociedade que esperavam por resultados da política de segurança e também seu fortalecimento diante de seus opositores que o criticavam por falta de resultados nesta área. Mas ele tem que ser hábil também para conter a ideia de que a batalha foi vencida e que as Farc vão acabar", comenta.

"Santos foi ministro de Defesa e conhece bem as Farc. Ele sabe que morte de Cano pode ser um duro golpe, mas não significa que eles não tem mais o poder militar. O presidente sabe que virão retaliações e ataques. O que ele não quer é ser cobrado por isso depois", acrescentou Victor de Currea Lugo.

Comando

Outro ponto que deve ser observado agora, segundo os analistas ouvidos pela BBC Brasil, é a nova configuração que as Farc irão definir. De um lado, a guerrilha pode, hierarquicamente, escolher um novo líder, ou não conseguir chegar a um consenso e se fragmentar.

"Dentro da hierarquia das Farc há alguns nomes que podem chegar ao comando. Mas são muitas tendências regionais e frentes que atuam de maneira autônoma, por isso existe o risco de que o grupo se fragmente e se aproxime cada vez mais da criminalidade comum", alerta Currea.

A mesma opinião é compartilhada pela vice-diretora da Fundação Rázon Pública, Maria Victória Duque, que analisa o conflito armado na Colômbia e negociações pela paz. "Se as Farc não conseguirem manter sua coesão e ocorrer a fragmentação, vai ficar ainda mais difícil dialogar e realmente iniciar um processo de paz", afirmou a analista.

Segundo ela, nos últimos meses, tanto o governo como as próprias Farc vinham dando demonstrações de possibilidade de negociação pela paz. Com a morte de Cano, esse diálogo pode ou não ser estabelecido.

"Ambos os lados demostraram que havia disposição para dialogar, mas o processo de paz não foi iniciado. Agora temos que esperar para saber se a morte de Cano será ou não favorável a este processo, ou se irá desencadear uma reformulação mais radical da guerrilha", disse Duque.

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