Irã reforça ameaça de fechar Estreito de Ormuz após novas sanções

Vice-chefe de influente comitê diz que caso a passagem de petróleo seja fechada, EUA e aliados não seriam capazes de reabrir rota

iG São Paulo |

Dois deputados iranianos refizeram a ameaça de fechar o estratégico Estreito de Ormuz , por onde é transportado cerca de um quinto do petróleo utilizado no mundo, em retaliação ao embargo da União Europeia anunciado nesta segunda-feira.

Saiba mais: União Europeia anuncia embargo ao petróleo do Irã

AP
O chanceler britânico, William Hague, participa de reunião em Bruxelas, na Bélgica, na qual ministros da UE aprovaram novas sanções contra o Irã

As nações da União Europeia em Bruxelas concordaram com um embargo ao petróleo do Irã, como parte das sanções contra o programa nuclear do país, que para o Ocidente, busca o desenvolvimento de armas atômicas, o que Teerão nega. As medidas incluem um embargo imediato a novos contratos de importação de petróleo e seus derivados, enquanto contratos já existentes podem continuar até julho.

O Irã já havia alertado bloquearia o estreito caso as sanções afetassem as vendas de petróleo, e dois deputados reforçaram a ameaça nesta segunda-feira.

Heshmatollah Falahapisheh, disse que o Irã tinha o direito de fechar o Estreito de Ormuz em retaliação às sanções ao petóleo e seu fechamento era cada vez mais provável, segundo a agência semioficial Mehr. "No caso de ameaça, o fechamento do Estreito de Ormuz é um dos direitos do Irã", disse Falahatpisheh. "Até agora, o Irã não usou esse privilégio."

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país, Ramin Mehmanparast, desqualificou as medidas, chamando-as de "injustas" e "fadadas ao fracasso". "A ameaça, a pressão e as sanções injustas estão fadadas ao fracasso e não impedirão o Irã de obter seus direitos fundamentais" em matéria nuclear."

Mohammad Ismail Kowarsi, vice-chefe do influente comitê iraniano de segurança nacional, disse que o Estreito de Ormuz "seria definitivamente fechado se a venda de petróleo iraniano for violada de qualquer maneira".

Kowarsi afirmou que caso o estreito seja fechado, os EUA e seus aliados não seriam capazes de reabrir a rota, e alertaram os EUA a não tentarem nenhuma "aventura militar".

Nesta segunda-feira, o Pentágono afirmou que um porta-aviões dos EUA cruzou o Estreito de Ormuz no domingo e chegou ao Golfo Pérsico. "O USS Abraham Lincoln completou um trânsito regular e de rotina para realizar operações previstas de segurança marítima", disse o porta-voz do departamento de Defesa, John Kirby. Segundo ele, não houve incidentes.

O porta-aviões, que pode transportar até 80 aviões e helicópteros, foi escoltado pelo cruzador de mísseis USS Cape St. George e por dois destroyers. Mais cedo, o ministério da Defesa do Reino Unido informou que uma fragata britânica e um navio francês se uniram ao grupo do porta-aviões para cruzar o Estreito.

Reações ao embargo

As medidas impostas pela União Europeia nesta segunda-feira também incluem o congelamento dos ativos do Banco Central Iraniano, como parte das sanções para forçar o Irã a retomar o diálogo sobre o enriquecimento de urânio, um processo que pode levar à fabricação das armas nucleares.

Após a aprovação do embargo, o ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, denunciou as "sanções unilaterais" contra o Irã. "As sanções unilaterais não fazem as coisas avançarem", declarou Lavrov. "Se o Conselho de Segurança da ONU impôs sanções coletivas, todos devem respeitar essa decisão sem acrescentar ou tirar nada", continuou.

A Rússia trabalhará para que "todas as partes se abstenham de tomar decisões bruscas e para que as negociações sejam retomadas", disse. O país, que até agora aprovou quatro pacotes de sanções do Conselho de Segurança contra o Irã, divulgou, assim como a China, que seria contra novas sanções.

Por outro lado, o governo dos Estados Unidos afirmou nesta segunda-feira que o embargo imposto pela União Europeia é "outro passo firme" para aumentar a pressão sobre Teerã.

Essa medida "é coerente com outras adotados previamente pelos Estados Unidos e com as novas sanções americanas contra o Irã", afirmou a secretária de Estado, Hillary Clinton, e o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, em um comunicado conjunto.

No mês passado os EUA promulgaram novas sanções contra o Banco Central iraniano e contra sua capacidade de exportar petróleo, mas tem adiado a implementação das sanções por pelo menos seis meses preocupados com o aumento do preço do petróleo em um momento difícil apra a economia mundial.

O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, também recebeu bem a decisão da União Europeia. Ele afirmou que o embargo é um "passo na direção correta".

Cerca de 80% do lucro com o petróleo iraniano vem de exportações e novas medidas ou sanções poderiam afetar fortemente sua economia. Com cerca de 4 milhões de barris por dia de produção, o Irã é o segundo maior produtor da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo).

Visita da AIEA

A agência nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU) confirmou na segunda-feira os planos de uma visita ao Irã entre 29 e 31 de janeiro e disse que seu principal objetivo é "resolver todas as questões substantivas pendentes".

Uma equipe sênior da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) deverá buscar explicações nas conversações em Teerã para as informações da inteligência indicando que o Irã tem tentado pesquisar e desenvolver armas nucleares relevantes, segundo afirmam diplomatas.

A missão da AIEA será liderada pelo vice-diretor geral Herman Nackaerts, chefe mundial das inspeções para salvaguardas nucleares, e incluirá Rafael Grossi, o diretor geral assistente para política. "A equipe da agência vai ao Irã com um espírito construtivo e confiamos de que o Irã trabalhará conosco nesse mesmo espírito", disse em um comunicado Yukiya Amano, diretor geral da agência que tem sede em Viena.

"O objetivo geral da AIEA é resolver todas as questões substantivas pendentes", acrescentou o comunicado da AIEA, confirmando pela primeira vez a data da visita.

Com AFP, EFE, Reuters e AP

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