Governo venezuelano investe em campanha contra primárias da oposição

Votação que definirá rival de Chávez para outubro deve levar 2 milhões às urnas neste domingo

Marsílea Gombata, De San Cristóbal, Venezuela* |

Em uma guerra simplista, em que o bem se coloca contra o mal, as TVs estatais da Venezuela utilizaram seus programas para atacar as primeiras eleições primárias em que a oposição elegerá o rival do presidente Hugo Chávez para a votação de 7 de outubro .

Leia também: Favorito da oposição da Venezuela se inspira em Lula contra Chávez .

EFE
Jovem venezuelana vota nas primárias da oposição para escolher o rival de Hugo Chávez em Valencia, Venezuela

Na noite anterior à votação deste domingo, o noticiário do canal Telesur alertou para a incoerência da coalizão opositora, a Mesa da Unidade Democrática (MUD), ao dizer que seus candidatos firmaram "acordos econômicos apesar das diferenças políticas". Além disso, criticaram a verba despendida em publicidade na campanha dos opositores, ressaltando gastos desnecessários, segundo o noticiário. "As primárias também são marcadas pelo gasto de milhões em propaganda, contradizendo a distribuição de riqueza que prometem", disse a repórter ao finalizar a matéria.

Na noite de quinta-feira, o apresentador do canal VTV pedia a Deus que livrasse a Venezuela de ser governada por "gente como" o opositor Henrique Capriles Radonski , favorito para vencer as eleições deste domingo , pois levaria o país para um "caminho como o da Europa ou dos Estados Unidos". Nos intervalos, o comercial pedia abstenção dos eleitores ao dizer: "Dia 12, seu compromisso com a pátria é o não!".

Do seu lado, a oposição ataca o governo ao minimizar os feitos das missões - programas sociais - do governo de Chávez, há 13 anos no poder, dizendo que não têm sido suficientes para diminuir a pobreza do país.

"O presidente diz que não há problemas de moradia, mas todos os dias há gente protestando por moradias", disse o analista político Ricardo Sucre, da MUD, em reunião com simpatizantes da coalizão opositora no sábado, em Caracas, na qual quiseram impedir a presença de jornalistas.

Ele também criticou os passos tomados pelo presidente, que passou por tratamento contra o câncer , assim como propagandas do Estado para divulgar o início de novas missões - como a recente Saber y Trabajo, que busca diminuir o desemprego e aumentar a capacitação profissional. "Chávez está colocando gente de sua confiança em postos-chave e aumentando a publicidade do governo", afirmou.

Votação

No mesmo dia em que se realizam as primárias da oposição, a Venezuela comemora o Dia Nacional da Juventude. A data será marcada por atrações em espaços públicos, como shows em praças e parques cujo público alvo são adolescentes venezuelanos.

As primárias deste domingo marcam a volta da oposição venezuelana na disputa pelo Executivo, depois de ter boicotado as eleições legislativas de 2005.

Dos quase 18 milhões de venezuelanos aptos a votar no país, estima-se o comparecimento de 2 milhões às urnas neste domingo para escolher candidatos da oposição a prefeito, governador, além do rival de Chávez para a eleição presidencial de 7 de outubro.

Segundo pesquisas, Capriles Radonski, governador do Estado de Miranda, está 20 pontos percentuais à frente do rival mais próximo, Pablo Pérez, governador do petroleiro Estado de Zulia. Capriles recebeu o apoio do candidato Leopoldo López, que deixou a disputa no fim de janeiro .

Apesar de ter desistido cerca de 15 dias antes da votação, seu nome ainda constará na cédula de votação eletrônica neste domingo. De acordo com o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), que auxiliou a oposição a organizar as eleições primárias, não houve tempo hábil para mudar a disposição das cédulas, cuja maioria já estava pronta. Assim, todos os votos que forem para López serão considerados nulos.

* A repórter viajou a convite do Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela para o Programa de Acompanhamento Internacional das Primárias

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