Corte da Venezuela bane destruição de lista de eleitores da oposição

Prefeito que perdeu primárias da oposição pediu revisão das listas na Justiça, mas rivais de Chávez acusam governo de intimidação

iG São Paulo |

A Suprema Corte da Venezuela proibiu na terça-feira que as autoridades da oposição destruam as listas dos eleitores que participaram das primárias, uma decisão que foi condenada pelos líderes rivais de Chávez que mostraram sua intenção de manter a identidade dos eleitores em segredo.

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AP
Candidato à presidência na Venezuela Henrique Capriles faz pronunciamento durante cerimônia que lançou oficialmente sua campanha

A ordem judicial foi pedida por Rafael Velásquez, um candidato a prefeito que saiu derrotado das primárias de oposição, e pediu por uma revisão na lista de eleitores. Mas os políticos da oposição disseram que a decisão aparentava ser uma tentativa de intimidar os adversários ao presidente Hugo Chávez.

"O governo nunca vai ser capaz de desapropriar o voto do nosso povo. Nunca vai ser capaz de desapropriar a esperança", disse o líder da oposição Henrique Capriles durante um pronunciamento na terça-feira à noite no evento em que ele foi formalmente proclamado como candidato presidencial.

Em referência à decisão da Suprema Corte, Capriles disse que parecia parte de uma tentativa de "instilar o medo". Capriles também prometeu uma economia mais forte, melhores escolas e buscou diferenciar sua candidatura da de Chávez.

"Nosso governo será para todos. O ônibus do progresso está com a porta aberta", disse Capriles a uma multidão, enquanto lia um discurso previamente preparado. Ele disse que no dia da eleição "vocês poderão escolher entre dois caminhos: o caminho do progresso que vocês querem, ou o caminho do socialismo que o governo quer para vocês".

O governador do Estado de Miranda de 39 anos enfrentará Chávez nas eleições presidenciais de 7 de outubro . Nas primárias, que ocorreram domingo, também foram determinados os candidatos de oposição para os Estados do país.

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"O anonimato do voto é um comprometimento, e nós vamos mantê-lo", disse o político de oposição Leopoldo López em resposta à ordem judicial. "Não haverá nenhuma decisão da corte... que vai prevenir o que acontece de continuar acontecendo: que mais venezuelanos se unam (à causa da oposição)."

Após um referendo em 2004 contra Chávez, uma lista daqueles que tinham votado na eleição vazou e foi amplamente circulada. Centenas reclamaram que depois de ter o seu nome indicado na lista, foram despedidas de seus empregos no governo ou impedidos de trabalhar para o governo. O gabinete de Chávez nega as acusações sobre essa lista.

A Suprema Corte decidiu que dentro de 24 horas os livros com os nomes dos eleitores deveriam ser entregues ao Conselho Nacional Eleitoral, disse a corte em comunicado.

Velásquez afirmou aos repórteres que ele tinha direito, como candidato, de pedir uma revisão da lista de eleitores nas eleições primárias. Velásquez afirmou que houve irregularidades, dizendo que "não funcionou como deveria".

Ele não explicou publicamente em detalhes por que achou necessário pedir a revisão. Ramón Guillermo Aveledo, que chefia a coalizão opositora, afirmou que a decisão da corte é "absurda".

"Depois das tentativas fracassadas do governo de sabotar o dia (da eleição) e distorcer o seu significado, eles transformaram no 'dossiê do medo'", Aveledo disse em comunicado. Ele disse que muitas das listas já foram destruídas.

'Varrer o opositor'

Hugo Chávez disse nesta quarta que vai "varrer" nas eleições de 7 de outubro Henrique Capriles, o que lhe permitiria passar 19 anos no poder. Em sua primeira aparição pública desde a vitória de Capriles nas eleições primárias da oposição, Chávez disse que seu governo é a garantia de paz e estabilidade no país.

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"Agora a burguesia tem seu candidato... É o candidato da antipátria, do capitalismo, é o candidato dos ianques, e vamos varrer essa burguesia", disse Chávez durante uma sessão da Assembleia Nacional no Estado de Bolívar, no sudeste venezuelano.

Capriles, aclamado candidato no domingo, tem 39 anos, governa o Estado de Miranda e se define como um progressista de centro-esquerda, admirador da "nova esquerda brasileira". Mas ele participa de uma coalizão com grupos políticos de direita.

Chávez, um esquerdista de 57 anos, diz que Capriles tenta imitá-lo ao prometer manter e ampliar programas sociais do governo. "Você quer se parecer com Chávez, burguesia? Que mal lhe fica isso. Aproveite o Carnaval e se disfarce de Chávez por uns dias. Você, burguesia, é má imitadora", disse o presidente.

Chávez cumprimentou os rivais por organizar eleições primárias com a participação de 2,9 milhões de votantes, mas disse que o processo saiu maculado pela eliminação de parte das listas.

Com AP e Reuters

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