Chefe da inteligência dos EUA diz que Irã está mais disposto a atacar

James Clapper disse que regime iraniano continuará tentando conseguir armamento nuclear, mas que sanções devem provocar mudanças

iG São Paulo |

O diretor nacional de inteligência dos Estados Unidos, James Clapper, disse nesta terça-feira em uma sessão do Senado que alguns líderes iranianos estão mais dispostos a atacar o país, seus interesses e seus aliados.

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AP
Diretor de Inteligência nacional James Clapper responde a uma questão no Capitólio, Washington

Clapper apontou em seu testemunho perante a Comissão de Inteligência do Senado que "alguns funcionários iranianos modificaram seus cálculos e estão mais decididos a realizar um ataque contra os EUA em resposta à ameaça real ou percebida contra o regime".

Como exemplo, ele destacou a suposta tentativa fracassada de assassinar o embaixador saudita em Washington no ano passado, no qual acredita-se que esteve envolvido um agente iraniano e membros do cartel mexicano dos Zetas.

O chefe da inteligência americana ressaltou que o regime iraniano continuará tentando conseguir armamento nuclear sempre que a "análise custo-benefício" de seus líderes definir que devam continuar esse desenvolvimento.

"O Irã está capacitado para enriquecer urânio suficiente para obter uma arma nuclear, se assim quiser", frisou Clapper em uma das poucas audiências públicas desse comitê sobre as ameaças mundiais aos EUA. "Não sabemos, de todas as formas, se o Irã decidirá finalmente fabricar uma arma nuclear", comentou.

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Clapper também lembrou que o diálogo com as autoridades israelenses deve ser mantido, já que para eles a possibilidade de o regime de Teerã obter armas nucleares "é um assunto delicado".

Além disso, Clapper expressou sua esperança que "as sanções econômicas provoquem uma mudança na política do Irã e o país deixe de perseguir a tecnologia nuclear", devido aos efeitos que têm em problemas internos como o alto índice de desemprego.

"Não acredito que tenham decidido criar uma arma nuclear", mas um indicador que escolheram essa opção seria, segundo Clapper, detectar que enriqueceram urânio acima de 90%.

O diretor de inteligência ressaltou ainda o importante papel dos inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que atualmente estão no país, para determinar as intenções e a predisposição de Teerã em cooperar.

Por outra parte, o tenente-general Ronald Burgess, diretor da Agência de Inteligência de Defesa, salientou que o Irã poderia tornar realidade sua ameaça de bloquear o estratégico Estreito de Ormuz em represália às sanções "apenas temporariamente", mas não quis discutir os detalhes durante a audiência pública.

Rodada de discussões

Segundo relato registrado pela agência iraniana semioficial Fars, o país persa concluiu nesta terça uma "construtiva" rodada de discussões com a AIEA e novas reuniões estão programadas.

"As conversas entre o Irã e a equipe visitante de inspetores da AIEA foram construtivas e (...) os dois lados concordaram em continuar as discussões", disse uma fonte não-identificada à Fars.

Os inspetores chegaram no sábado a Teerã para discutir com as autoridades locais as suspeitas ocidentais de que o país estaria tentando desenvolver armas atômicas - algo que a República Islâmica nega insistentemente, alegando que seu objetivo é gerar energia para fins civis.

A Fars disse que as datas de novas reuniões já foram marcadas, mas não deu detalhes. A TV Al Alam, emissora estatal iraniana em língua árabe, citou um funcionário não-identificado segundo o qual apenas "questões técnicas e jurídicas foram discutidas durante as conversas", e que a equipe internacional não visitou instalações nucleares.

Também na terça-feira, estudantes radicais iranianos se reuniram em frente à sede da AIEA, em Viena, para protestar contra a visita dos inspetores, segundo a agência iraniana de notícias Isna.

A tensão do Irã com o Ocidente aumentou neste mês por causa da decisão dos EUA e da União Europeia de endurecer suas sanções contra Teerã, na expectativa de pressionar o governo local a fornecer mais informações sobre o seu programa nuclear. As medidas afetam diretamente as exportações de petróleo do Irã, segundo maior produtor da Opep.

O Irã acusou a UE de promover uma "guerra psicológica", e ameaçou interromper o fornecimento de petróleo para o continente antes de julho, quando entram em vigor as sanções europeias.

Além disso, as autoridades iranianas minimizam repetidamente as sanções, dizendo que o país se tornou mais autossuficiente.

A UE comprou em 2011 um quarto de todo o petróleo exportado pelo Irã. Mas analistas dizem que o mercado global de petróleo não será claramente perturbado se o Parlamento iraniano aprovar o embargo nas exportações para a Europa.

Potencialmente mais nocivo para o mercado de petróleo e para a segurança global seria o risco de que o impasse do Irã com o Ocidente dê lugar a um conflito militar.

Com EFE e Reuters

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