Assembleia aprova viagem de Chávez a Cuba na sexta-feira para cirurgia

Oposição pede que vice assuma durante ausência de presidente venezuelano; intervenção cirúrgica deve ocorrer no início da próxima semana

iG São Paulo |

A Assembleia Nacional da Venezuela aprovou nesta quinta-feira por unanimidade a permissão solicitada pelo presidente Hugo Chávez para se ausentar do país a partir de sexta-feira, para uma viagem que fará a Cuba onde será submetido a uma cirurgia após os médicos detectarem de uma "lesão" na área onde teve um tumor cancerígeno extraído em junho do ano passado.

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Segundo o presidente venezuelano, a intervenção cirúrgica deve ocorrer na segunda-feira ou na terça-feira. "Lá estarei, Fidel (Castro), amanhã parto para lá à tarde, na tarde para uma nova batalha na qual também, guerrilheiros do tempo que somos, venceremos", disse o presidente em uma reunião do Conselho de Ministros transmitida em cadeia nacional de rádio e televisão, referindo-se ao líder cubano.

O líder antecipou que permanecerá todos os dias em contato com seu gabinete e ressaltou que viajará com um "grupo de comando" integrado por parte de sua equipe mais próxima de colaboradores, como a ministra da Presidência, Erika Farias, e o chefe da Casa Militar, o general José Adelino Ornella Ferreira.

A oposição solicitou, no entanto, que em sua ausência o vice-presidente do país, Elías Jaua, assuma as funções presidenciais, opção que desagrada o presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Diosdado Cabello. Após desejar “de todo coração” a rápida recuperação do presidente, o deputado opositor Alfonso Marquina exigiu que durante a estadia de Chávez em Cuba Jaua assuma temporariamente o poder.

De acordo com artigo 234 da Constituição venezuelana, as "faltas temporárias" do presidente "serão supridas pelo vice-presidente Executivo" por um período de até 90 dias prorrogáveis. "Não se pode emitir decretos, não se pode aprovar leis, não se pode assinar atos administrativos de um lugar distante do território nacional", insistiu o legislador.

Cabello celebrou a "atitude" dos deputados opositores, mas negou que Chávez vá se ausentar temporariamente do país e, assim, negou que o artigo da Constituição possa ser aplicado neste caso. "O presidente vai fazer uma intervenção cirúrgica, o presidente não estará ausente de maneira temporária como a Constituição estabelece", indicou

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O primeiro vice-presidente do Congresso, o deputado Aristóbulo Istúriz, disse também que "cada paciente tem direito de escolher seu médico, este é um direito humano". Ele acrescentou ainda que Chávez, que partirá amanhã para passar cinco dias em Havana, "cresce nos momentos difíceis, quando dá provas de que é grande".

O líder venezuelano fez a solicitação para viajar à ilha por cinco dias depois que ter anunciado, na última terça-feira, que uma nova “lesão” havia sido encontrada no mesmo local em que foi operado por causa de um tumor há oito meses em Cuba. Em discurso em Barina, seu Estado natal, transmitido pela TV, Chávez desmentiu se tratar de uma metástase. "É uma pequena lesão, de cerca de dois centímetros de diâmetro, claramente visível. Isso nos obriga a fazer outra intervenção cirúrgica", afirmou. "Não temos certeza, ninguém pode dizer que essa nova lesão seja maligna, no entanto há probabilidades altas, porque está no mesmo lugar onde estava o outro, por isso é preciso extraí-lo", acrescentou o presidente venezuelano.

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Adversário

Na terça-feira, o líder da oposição que disputará a eleição presidencial com Chávez, Henrique Capriles Radonski , desejou sucesso a Chávez por meio de seu Twitter. “Ao meu adversário, como filho de Deus que sou, desejo uma operação bem-sucedida, uma pronta recuperação e uma vida longa”, escreveu o candidato da oposição.

No poder há 13 anos, Chávez apresenta estado de saúde incerto a poucos meses das eleições presidenciais, marcadas para 7 de outubro e nas quais espera-se que o líder consiga se reeleger para um mandato de seis anos.

*Com Ansa e EFE

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