Mercosul deve coibir novos casos de espionagem, diz Dilma em Montevidéu

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Presidente também saudou a decisão de rechaço do bloco econômico para 'questões de ferimento de soberania'

A presidente Dilma Rousseff (PT) defendeu que os países do Mercosul adotem medidas em resposta aos casos de espionagem realizada pelo governo norte-americano com relação aos Estados da região. De acordo com a presidente, é preciso "coibir" novos casos como esse.

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AP
Evo Morales (Bolívia), Cristina Kirchner (Argentina), José Mujica (Uruguai), Dilma Rousseff (Brasil) e Nicolás Maduro (Venezuela) participam de cúpula do Mercosul

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"Somos atingidos pelas denúncias de que (nossa) comunicação eletrônica está sendo espionada. A espionagem atinge nossa soberania e direitos inalienáveis da nossa população. Defendemos a preservação de nossa soberania e privacidade de nossos cidadãos e empresas. Devemos também adotar medidas pertinentes para coibir a repetição dessas situações", afirmou a presidente. "Saúdo a decisão de rechaço do Mercosul para questões sobre ferimento de soberania."

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Com informações vazadas pelo ex-técnico da CIA Edward Snowden, o jornal brasileiro O Globo afirmou na terça que a NSA realizou atividades de espionagem, priorizando Colômbia, Brasil e México.

As atividades de vigilância também atingiram Argentina, Equador, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, Paraguai, Chile, Peru e El Salvador, de acordo com o jornal. Segundo informações do Globo, emails e telefonemas de brasileiros foram monitorados. 

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A presidente Dilma participa nesta sexta da 45ª Cúpula dos Chefes de Estado e de Governo do Mercosul que acontece em Montevidéu, no Uruguai. Ao chegar ao país anfitrião, Dilma já havia condenado a espionagem americana. O chanceler brasileiro, Antonio Patriota, que também foi ao Uruguai para participar da cúpula, afirmou que os líderes devem propor uma moção de repúdio às atividades de espionagem.

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"Está em negociação uma decisão dos chefes de Estado quanto às denúncias que afetam o Brasil e todos os países da região. Há um consenso em repudiar tais atos e buscar formas com que os Estados tenham uma proteção cibernética efetiva, que a soberania seja respeitada e também a privacidade dos indivíduos seja honrada", disse o chanceler.

Os países do bloco devem expressar também um descontentamento formal quanto à detenção do avião do presidente boliviano Evo Morales em solo europeu. Na semana passada, Morales, que retornava a La Paz após uma visita oficial a Moscou, teve de fazer um pouso não previsto na Áustria após alguns países europeus terem impedido que a aeronave presidencial sobrevoasse seu espaço aéreo. Havia a suspeita de que Snowden pudesse estar escondido dentro do avião.

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Participam do encontro no Uruguai a presidente Dilma Rousseff e seus homólogos Cristina Kirchner, da Argentina; José Mujica, anfitrião, do Uruguai; Nicolás Maduro, da Venezuela; e Evo Morales, da Bolívia. A Bolívia fez um pedido de adesão ao bloco em dezembro passado e seu status oficial é de "membro pleno em processo de adesão". Sua adesão ainda precisa ser ratificada pelos Parlamentos dos demais membros.

Dilma e Cristina também vão realizar uma reunião bilateral em Montevidéu. Elas devem discutir, entre outros temas, a renovação do acordo automotivo entre os dois países, que expirou no final de junho e ainda não foi prorrogado.

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Outros pontos importantes da reunião de cúpula são a concessão da presidência rotativa do Mercosul à Venezuela, país que participa pela primeira vez como membro pleno, e a aproximação entre o bloco e os países caribenhos.

Com Agência Estado

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