Mulheres desaparecidas por ao menos uma década são encontradas nos EUA

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Três sequestradas são resgatadas em casa em Cleveland, onde também estava menina de 6 anos, provável filha de uma das vítimas. Três irmãos são presos em conexão com o caso

Três mulheres que desapareceram há cerca de dez anos, ainda na adolescência ou com pouco mais de 20 anos, foram encontradas vivas no Estado americano de Ohio, informou na segunda-feira (6) a polícia dos EUA. Autoridades, que prenderam três irmãos com idades entre 50 e 54 anos em conexão com o caso, disseram que elas provavelmente foram mantidas amarradas durante anos do cativeiro na cidade de Cleveland.

Saiba mais: Saiba quem são as três mulheres resgatadas após dez anos nos EUA

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Desaparecida havia dez anos, Amanda Berry abraça sua irmã Beth Serrano em hospital em Cleveland

Amanda Berry desapareceu aos 16 anos, em 2003, e Gina DeJesus sumiu no ano seguinte, quando tinha 14 anos. Michele Knight, de 32 anos, que também estava desaparecida, foi libertada juntamente com as outras duas. A polícia identificou os três suspeitos como Ariel Castro, 52; Pedro Castro, 54; e Onil Castro, 50.

Ouça: Polícia divulga áudio de pedido de socorro por mulher desaparecida

A polícia não deu detalhes sobre como as mulheres foram encontradas, mas afirmou que as três parecem estar bem de saúde e foram levadas a um hospital para ser avaliadas e para se reunir com seus parentes. A polícia disse que uma menina de 6 anos, que poderia ser filha de Amanda, foi encontrada na casa. O vice-chefe policial Ed Tomba rejeitou dizer qual dos três irmãos seria o pai da criança.

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Combinação de fotos divulgada pela polícia mostra (E para D) Onil Castro, Ariel Castro e Pedro Casto, suspeitos pelo sequestro de três mulheres em Cleveland

Em uma mensagem gravada pelo telefone de emergência, Amanda afirmou: "Eu sou Amanda Berry. Eu estive nos jornais nos últimos dez anos." Ela disse que foi levada por alguém e implorou para que os policiais fossem à casa em Cleveland. "Fui sequestrada e estava desaparecida havia dez anos", disse ela na ligação. "Eu estou aqui. Estou livre agora."

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De acordo com a rede britânica BBC, as três teriam sido encontradas depois que seu vizinho Charles Ramsey ouviu Amanda gritando por socorro dentro da casa e a ajudou a arrombar parte da porta. Amanda teria conseguido sair e ligou para a polícia da casa de Ramsey. "Quando a polícia chegou, ela disse que havia duas outras mulheres dentro da casa", disse o vizinho. 

Amanda Berry, hoje com 27 anos, desapareceu aos 16 anos em 21 de abril de 2003, após ligar para sua irmã e dizer que pegaria uma carona para casa de seu trabalho no Burger King. Um ano depois, Gina DeJesus sumiu aos 14 anos quando ia para a escola. Elas foram encontradas a poucos quilômetros do lugar em que desapareceram.

Assista a entrevista do vizinho que ajudou a soltar as mulheres desaparecidas:

A polícia informou que Michele Knight desapareceu aos 20 anos em 2002 e hoje tem 32 anos. Julio Castro, que tem uma mercearia a meio quarteirão da casa onde as mulheres foram encontradas, disse que Ariel Castro é o proprietário da residência e seu sobrinho.

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Familiares e amigos afirmaram que não tinham perdido as esperanças de rever as três mulheres. Entre eles estava Kayla Rogers, amiga de infância de Gina. "Eu rezava, nunca me esqueci dela, nunca", disse Kayla ao jornal Plain Dealer. "Isso é incrível. É uma celebração. Estou tão feliz. Só quero poder vê-la atravessando essas portas para poder abraçá-la."

Tasheena Mitchel, prima de Amanda, afirmou ao jornal que mal conseguia esperar para abraçá-la. "Eu vou abraçá-la e apertá-la e, provavelmente, não a deixarei ir", disse. A mãe de Amanda, Louwana Miller, que ficou hospitalizada por meses com pancreatite, morreu em março de 2006. Ela passou os últimos três anos procurando sua filha, cujo desaparecimento agravou seu estado de saúde, segundo parentes e amigos.

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Foto antiga mostra duas das três desaparecidas: Amanda Berry (à esquerda) e Georgina "Gina" Dejesus

O prefeito Frank Jackson expressou gratidão pelo fato de as três mulheres terem sido encontradas com vida. "Temos muitas perguntas sem respostas sobre esse caso, e a investigação continua", disse em comunicado.

Os casos das três mulheres haviam sido reabertos no ano passado, quando um prisioneiro disse às autoridades que Amanda Berry teria sido enterrada em Cleveland. Ele acabou sendo condenado a quatro anos e meio de prisão pelo falso testemunho.

Com AP e BBC

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