Hillary deve deixar Departamento de Estado como 'superstar'

Principal diplomata dos EUA diz que se aposentará mesmo se Obama for reeleito, mas muitos apostam que ela tentará a presidência em 2016

Carolina Cimenti - de Nova York |

Aos 64 anos, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, uma das maiores estrelas do governo de Barack Obama e apelidada pelo jornal New York Times como ‘diplomata rock star’, está prestes a se aposentar. Hillary anunciou no fim do ano passado que, mesmo que Obama seja reeleito em 6 novembro, não pretende continuar no governo e certamente deixará o cargo que ocupa há quase quatro anos.

O apelido de ‘diplomata rock star’ não requer explicações complexas: Hillary foi a secretária de Estado americana que mais viajou na história do país. Só neste ano foram mais de 50 viagens. Ao longo de três anos e meio, ela passou 340 dias viajando e mais de 1.800 horas (ou 76 dias) a bordo do Air Force 757, segundo o Departamento de Estado. Ao todo, ela representou os EUA em mais de 120 países. O antigo recorde era de Madeleine Albright, que visitou 96 países durante o segundo mandato de outro Clinton, Bill, o marido de Hillary.

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AP
A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, durante entrevista coletiva em Belgrado, na Sérvia (30/10)

Por essas e por outras, ninguém consegue acreditar que a secretária de Estado realmente vá se aposentar para o resto da vida. “Acho que a primeira coisa que Hillary fará é tirar umas longas e merecidas férias. Ela provavelmente está exausta. Também acho que aproveitará esse tempo para escrever seu livro de memórias. Mas há um número crescente de pessoas pensando em Hillary para a nomeação democrata nas eleições presidenciais de 2016, e o trabalho feito por ela no Departamento de Estado fortaleceu muito sua imagem”, disse ao iG Taylor Marsh, analista política que escreveu um livro sobre a secretária de Estado intitulado “The Hillary Effect” (O Efeito Hillary, em tradução livre).

Hillary Rodham Clinton nasceu em Chicago, filha de uma dona de casa e um pequeno empresário da indústria têxtil. Ela demonstrou liderança durante toda sua vida estudantil, inclusive quando estudava direito na Universidade Yale, onde conheceu Clinton, com quem anos mais tarde se casaria e teria uma filha, Chelsea .

Hillary foi primeira-dama duas vezes do Estado de Arkansas e, entre 1993 e 2001, dos EUA. Nos oito anos seguintes, ela trabalhou como senadora eleita pelo Estado de Nova York. Em 2008, Hillary foi pré-candidata democrata à presidência do país, mas perdeu a nomeação para o atual presidente. Quando Obama a convidou para chefiar o Departamento de Estado, surpreendeu a ela e ao resto do mundo, pois os dois haviam se criticado duramente durante a campanha eleitoral. Mas a decisão de aceitar a proposta se comprovou acertada para os dois políticos.

Os quase quatro anos como secretária de Estado transformaram a imagem da ex-primeira-dama e ex-senadora aos olhos dos eleitores. Hillary, que tinha fama de mandona e chata, nunca foi tão popular quanto atualmente. Seu índice de aprovação (65%, de acordo com uma pesquisa do canal de TV ABC e do jornal Washington Post) é superior ao do próprio presidente.“Não há dúvidas de que a lealdade de Hillary, que aceitou fazer parte da equipe do seu maior rival político, e a energia que demonstrou no seu trabalho conquistaram o coração e o respeito dos americanos”, disse ao iG o analista político Stephen Walt.

Quando se fala em substitutos para ela, caso Obama seja reeleito, dois nomes são mais citados. O do senador e ex-candidato à presidência americana John Kerry, e o da embaixadora americana para a ONU, Susan Rice. Ambos se negam a fazer comentários sobre o tema.

Uma das maiores realizações de Hillary como secretária de Estado foi ter aumentado a relevância e o orçamento do Departamento de Estado em comparação ao Pentágono. “Os EUA sempre tiveram suas relações exteriores baseadas nesses dois pilares - a diplomacia no Departamento de Estado e o poder militar no Pentágono -, mas sempre deram mais valor ao último. Depois de oito anos e duas guerras iniciadas no governo de George W. Bush (2001-2009), Hillary teve a força e a coragem de reforçar o papel da diplomacia. Ela soube se aproximar do Pentágono e aumentar enormemente o diálogo entre as duas instituições, e isso acabou sendo fundamental para aumentar a participação do Departamento de Estado”, afirmou Marsh.

Divulgação / Casa Branca
O presidente dos EUA, Barack Obama, e a secretária de Estado, Hillary Clinton, caminham juntos em San Jose Del Cabo, no México (18/06/2012)

Outro grande feito de Hillary, que Marsh aponta como algo que entrará para a história do país, foi destacar o direito e a importância das mulheres para qualquer política, seja em países ricos como naqueles em desenvolvimento. Quando foi primeira-dama, ela causou uma espécie de tsunami diplomático quando, em uma visita à China dos anos 90, declarou que “os direitos das mulheres são direitos humanos”.

Ao voltar ao país como secretária de Estado, ela não repetiu a frase, mas o “efeito Hillary” aumentou o número de mulheres em quase todos os departamentos da Casa Branca e dos ministérios dos EUA. Além disso, estimulou pela primeira vez na história americana a nomeação de mulheres como embaixadoras.

A secretária de Estado praticamente não cometeu gafes durante seu mandato, e a única grande crítica ao seu trabalho foi o de ter demorado muito para entender a força e a gravidade da Primavera Árabe em 2011. “Quando o então presidente egípcio Hosni Mubarak começou a ser desafiado pelos manifestantes, Hillary ainda tentou defendê-lo e lembrou que a família Mubarak era amiga dos EUA. Foi um erro de cálculo. Em poucas semanas ficou claro que a Primavera Árabe não seria um movimento passageiro, e o Departamento e o presidente Obama tiveram que rever a sua posição”, explicou Walt.

Apesar da falha, o povo americano parece ter desculpado a secretária de Estado. Em abril, um dos memes mais populares do ano mostrou Hillary como uma mulher forte, sensata e com bom humor. O tumblr Texts From Hillary fez tanto sucesso que ela própria decidiu encontrar e agradecer ao vivo os criadores da brincadeira. Os democratas riem e sugerem que é esse tipo de movimento espontâneo da internet que acabará levando a secretária de Estado à Casa Branca em 2016. “A ‘Dinastia Clinton’ com superpoderoso casal Bill e Hillary, ainda pode dar muito o que falar”, disse Marsh.

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