"Temos de fazer nosso samba", dizia Niemeyer ao enfermeiro no hospital

Arquiteto também pediu para comer pastel e tomar café na véspera da morte; viúva promete editar livro e revista que estavam sendo produzidos

Raphael Gomide - iG Rio de Janeiro | - Atualizada às

Dias antes de morrer, às 21h55 de quarta-feira (5), o arquiteto Oscar Niemeyer mantinha o bom-humor e a crença de que sairia em breve do Hospital Samaritano, onde estava internado desde o dia 2. Aparentemente, eram sempre os projetos que o moviam, mesmo coisas simples.

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Ao enfermeiro que cuidava dele, por quem se afeiçoou, Niemeyer dizia: "Temos que fazer o nosso samba!" Orgulhoso, o enfermeiro confirmava.

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Vera Lúcia, a viúva, contou esta e outras histórias que demonstram que o arquiteto se manteve lúcido até os últimos dias de seus quase 105 anos de vida.

"Quero comer pastel e tomar café", pediu à mulher na terça-feira. "Tenho que ir embora porque meus trabalhos estão atrasados", dizia, agoniado, segundo Vera, que contou não ter saído de perto dele "em nenhum momento, "vendo as melhoras, evoluções, e pioras.

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"Ele estava lúcido e sempre tinha uma palavra boa", conta.

De acordo com a viúva, Niemeyer continuou a trabalhar, mesmo no hospital. "Ele via comigo a revista, falava como estava andando, mandava chamar o diagramador... Falava de alguns projetos."

Vera Lúcia disse que pretende continuar a editar a revista e um livro que fariam juntos. "Foi a únics coisa que prometi a ele. Esse livro é um dos projetos de arte, do centro cultural que ele fez", contou a viúva.

Abaixo, o enfermeiro Caio Almeida, 30 anos, que acompanhava Niemeyer havia sete, canta "Tranquilo com a vida", composição da dupla na internação em CTI em 2010.

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