Estudo traz análise inédita do asteroide Lutetia 21

Dados obtidos pela sonda espacial Rosetta mostram que o Lutetia 21 é provavelmente um precursor dos planetas atuais

Alessandro Greco, especial para o iG |

Science
Foto do Lutetia 21, tirada pela sonda Rosetta: precursor de planetas
A Agência Espacial Europeia divulgou nesta quinta-feira um extenso estudo do asteroide Lutetia 21, visitado pela sonda espacial Rosetta em julho de 2010 . Os dados mostraram características únicas do corpo celeste, diferentes de todos os pequenos asteróides já conhecidos.

Segundo a pesquisa, o Lutetia 21 é aparentemente um fragmento de um asteróide maior ou um planetesimal (pedaços de asteróides que podem ser responsáveis pela formação dos planetas). “Lutetia é importante, pois não foi destruído por impactos desde sua acreção [adição de partes menores mediante colisão]. É provavelmente um planetesimal remanescente dos primeiros dias do Sistema Solar”, afirmou ao iG Holger Sierks, do Instituto Max Planck, na Alemanha, principal autor do trabalho publicado nesta quinta-feira (27) no periódico científico Science.

Com os dados captados pela Rosetta, Sierks e colegas estimaram o tamanho do asteroide (121 quilômetros de comprimento, 101 quilômetros de altura e 75 quilômetros de largura) e analisaram sua superfície. Descobriram que ela é composta de uma camada de regolito (fragmentos de pedra), o mesmo material que recobre a superfície da Lua.

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Em outros dois estudos publicados na mesma edição, duas equipes diferentes de pesquisadores analisaram a massa e a temperatura do Lutetia 21. Após calcular a massa, uma equipe liderada por Martin Pätzold, da Universidade de Colônia, na Alemanha, concluiu que a densidade do asteroide era de cerca de 3.400 quilos por metro cúbico, uma das maiores já calculadas para um asteroide – para se ter uma medida de comparação, o granito tem uma densidade de 2.650 quilos por metro cúbico.

Já a temperatura máxima foi estimada em -19,5°C por uma equipe liderada por Angioletta Coradini, da Universidade La Sapienza, na Itália, que faleceu antes da publicação do artigo.

Até 2011, Lutetia 21 era o maior asteroide já visitado por uma espaçonave. Perdeu o posto para o Vesta,  que recebeu a sonda Dawn em agosto .

O próximo passo da pesquisa, segundo Sierks, será trabalhar em novas missões que consigam aterrissar, analisar a composição do material da superfície, cavar o solo e retornar para casa com o conteúdo deles para uma análise mais detalhada em laboratório.

(Com reportagem de Denise Barros)

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