Novo mapa do Universo mostra que ele é mais velho do que se pensava

Por BBC |

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Mapeamento produzido pelo telescópio espacial Planck mostra o espaço sideral em tons de azul e marrom, que representam variações na temperatura do universo

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ESA and the Planck collaboration
O mapa mostra radiação cósmica que sugere que o cosmos é mais antigo do que se pensava

Um espetacular novo mapa descrevendo a ''luz mais antiga'' do universo, que indica que o cosmos é mais antigo do que se acreditava até agora e dá força à teoria do Big Bang para explicar sua origem, foi revelado pela Agência Espacial Europeia.

O mapa, montado a partir de dados coletados pelo telescópio espacial Planck, apresenta o universo com pixels em tons de azul e marrom que representam variações de temperatura, que por sua vez são indicações da presença de radiação cósmica de fundo na forma de micro-ondas (uma radiação eletromagnética como a luz, mas que não pode ser enxergada a olho nu).

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No mapa, as manchas azuis mostram regiões mais frias que a média e as marrons, mais quentes. Os pontos frios mostram onde a matéria do universo está mais concentrada.

Os dados oferecidos pelo Planck sugerem que o cosmos se formou a 13,82 bilhões de anos - um aumento de cerca de 50 milhões de anos em relação a cálculos anteriores.

O mapa também sugere que o universo conta com mais matéria (31,7%) e menos "energia escura" (68,3%), o misterioso componente que acredita-se estaria provocando a expansão do cosmos a um ritmo acelerado.

Segundo especialistas, algumas imagens presentes no mapa foram inesperadas e exigirão que alguns conceitos adotados pela comunidade científica sejam repensados.

Universo em expansão
O mapa foi montado após a compilação de 15 meses de dados do Planck, um telescópio que custou 600 milhões de euros (cerca de R$ 1,5 bilhão).

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A equipe que analisou os dados afirma que o mapa se encaixa bem no modelo clássico de cosmologia, que defende a ideia de que o universo começou em um estado denso, incrivelmente pequeno e de temperatura extremamente elevada e que então, após a explosão conhecida como big bang, se expandiu e foi esfriando.

A radiação cósmica de fundo é a luz que pôde se espalhar pelo espaço assim que o universo desaqueceu o suficiente para permitir a formação de átomos de hidrogênio, cerca de 380 mil anos após o nascimento do cosmos.

Essa radiação de micro-ondas ainda banha a Terra com um brilho quase uniforme, mas é possível detectar variações em seu sinal, e essas flutuações - vistas nas pigmentações no mapa - refletiriam as diferenças na densidade da matéria quando a luz partiu em sua jornada há bilhões de anos.

Cientistas submeteram as oscilações de temperatura a uma série de análises estatísticas, que podem agora ser confrontadas com expectativas teóricas – confirmando algumas e descartando outras.

Surpresas
O mapa também dá força à chamada teoria de inflação cósmica, que afirma que, nos seus primeiros momentos de existência, o universo se expandiu com imensa velocidade.

Mas, como o mapa é bem mais detalhado do que qualquer análise anterior, também é possível encontrar algumas anomalias.

Uma delas é que as oscilações de temperatura, quando analisadas em grande escala, não se encaixam nas previsões do modelo padrão. O sinal é um pouco mais fraco do que o esperado.

O mapa também indica uma assimetria nas temperaturas médias em todo o cosmos e mostra que o “hemisfério sul” mostrado no mapa é ligeiramente mais quente do que o “norte”.

Outra anomalia significativa é um ''ponto frio'' no mapa, centrado na constelação de Eridano, que é muito maior do que se esperava.

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