Empresa holandesa prepara viagem só de ida a Marte

Mars One pretende criar colônias humanas no planeta a partir de 2023, ao custo de 12 bilhões de reais

AFP | - Atualizada às

AFP

Divulgação/Facebook
Conceito artístico da colônia humana em Marte proposta pela Mars One

A partir de 2023, turistas poderão viajar a Marte com uma passagem de ida simples, que será financiada com a cobertura da aventura, divulgou uma empresa holandesa, enquanto o jipe-robô Curiosity , da Nasa, faz as primeiras explorações no Planeta Vermelho.

"A conquista de Marte é a etapa mais importante da história da humanidade", disse à AFP Bas Lansdorp, engenheiro mecânico de 35 anos que criou a empresa Mars One, decidido a prosseguir com sua ideia, apesar do ceticismo dos especialistas.

Uma particularidade do projeto é que, por enquanto, não haverá viagem de volta, impossível do ponto de vista técnico, explicou Bas Lansdorp. 

Veja também:
Curiosity pousa com sucesso em Marte
Veja outras imagens de Marte
'Jeitinho brasileiro me ajudou', diz executivo de missão da Nasa
Nasa divulga vídeo do pouso do Curiosity em Marte
Curiosity manda novas fotos de Marte
Curiosity: em busca dos elementos da vida em Marte

O empresário avalia o custo da viagem em 6 bilhões de dólares (cerca de 12 bilhões de reais), mais de duas vezes os 2,5 bilhões da missão do robô americano Curiosity, que posou em Marte em 5 de agosto para investigar se o entorno do planeta foi propício à vida microbiana no passado.

Dê uma volta pela cratera Gale, onde está o Curiosity 

A seleção de astronautas, sua vida diária em Marte e a viagem de sete meses serão material para programas de televisão destinados a financiar a aventura.

Bas Lansdorp explicou ter tido a ideia do financiamento do projeto ao conversar com o compatriota Paul Römer, um dos criadores do 'reality show' Big Brother, exibido pela primeira vez na Holanda, em 1999. Veja o vídeo de apresentação do projeto em inglês:

Alguns especialistas se questionam sobre a ética do projeto ou sua possibilidade técnica, embora outro holandês, Gerard't Hoofd, prêmio Nobel de Física em 1999, apóie a empresa holandesa e seja um de seus embaixadores.

"Sempre houve aventureiros para lançar viagens ao desconhecido. Pensemos nos vikings que foram para a América, em Cristóvão Colombo", argumentou, em declarações à AFP.

O engenheiro Lansdorp, que trabalhou com energia eólica, admite que falta concretizar vários aspectos do projeto.

Só a metade das missões das grandes agências espaciais lançadas desde 1960 para pousar em Marte teve sucesso. Mas a "Mars One" prevê criar no planeta uma colônia a partir de 2023. O presidente americano, Barack Obama, estabeleceu como meta enviar homens a Marte antes de 2030.

Bas Lansdorp e sua equipe, formada por um físico, um desenhista industrial e um especialista de comunicação empresarial, contam em manter o controle sobre a "coordenação geral" do projeto. A realização técnica ficará a cargo de empresas privadas especializadas.

A seleção e o treinamento dos candidatos astronautas deveriam começar, em 2013, e o envio dos módulos habitacionais, das provisões e dos veículos robotizados estão previstos entre 2016 e 2022.

Leia também:
Turistas espaciais poderão dar a volta na Lua em 2017
Turismo espacial pode significar grande salto para pesquisadores
Empresa de turismo espacial abre contratação de astronautas
Estudo dos EUA prevê mais demanda por voos espaciais comerciais
Cientista elabora guia turístico de Marte

Em abril de 2023, os quatro primeiros homens e mulheres pousarão em Marte. Outros astronautas (21 no total em 2033) se somarão. A temperatura média no planeta é de 55 graus abaixo de zero e a atmosfera é composta em 95% de dióxido de carbono.

Os astronautas instalarão a colônia e realizarão pesquisas científicas. Seu oxigênio será produzido a partir da água presente sob a forma de gelo no subsolo.

"Penso que restam perguntas que não têm sido examinadas em profundidade", avalia Chris Welch, professor de engenharia espacial da Universidade Internacional para o Espaço (ISU), sediada em Estrasburgo (nordeste da França).

"De um ponto de vista técnico, diria que é metade/metade", acrescentou Welch, explicando que a produção de oxigênio a partir do gelo é "possível em teoria", embora extremamente incerta.

    Leia tudo sobre: marteturismo espacialexploração

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG