Três responderão por falsidade ideológica e cinco por inobservância da lei em processos administrativos

Agência Estado

O Ministério Público do Rio Grande do Sul denunciou nesta segunda-feira (19) oito bombeiros por falhas relacionadas à tragédia da boate Kiss. Nenhum deles foi acusado por ações que resultaram na morte de 242 pessoas durante o incêndio, na madrugada de 27 de janeiro, ou posteriormente, em hospitais. Todos serão julgados pela Justiça Militar de Santa Maria. Três responderão por falsidade ideológica e cinco por inobservância da lei em processos administrativos e na fiscalização da casa noturna.

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O comandante regional dos Bombeiros de Santa Maria, tenente-coronel Moisés da Silva Fuchs, e outros sete oficiais já tinham sido indiciados no Inquérito Policial Militar (IPM) que apurou responsabilidades da corporação. 

Boate Kiss, após tragédia em Santa Maria
Mauricio Barbosa/Futura Press
Boate Kiss, após tragédia em Santa Maria

O julgamento

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul determinou a divisão dos processos dos acusados pelo incêndio. Os quatro acusados por homicídio doloso (quando há a intenção de matar) serão julgados separadamente dos outros acusados de fraude processual e falso testemunho. A intenção da Justiça é dar maior agilidade aos processos, principalmente dos casos que não respondem por homicídio.

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De acordo com o TJ, a comprovação dos crimes de fraude processual, cometido pelos bombeiros Gerson da Rosa Pereira e Renan Severo Berleze, e de falso testemunho, cometido pelo ex-sócio da boate Elton Cristiano Uroda e pelo contador Volmir Astor Panzer, depende apenas de provas documentais.

Já os acusados pela morte de 242 vítimas, os dois sócios da boate (Elissandro Spohr e Mauro Hoffmann) e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira (Marcelo dos Santos e Luciano Augusto Leão), responderão diante de um Tribunal do Júri. Presos desde a tragédia, em janeiro deste ano, eles tiverem a liberdade provisória decretada pelo próprio TJ na última quarta-feira, 29.

O caso

A tragédia ocorreu na madrugada de 27 de janeiro, às 3h17, quando uma fagulha de um sinalizador usado pela banda em show pirotécnico chegou ao teto da casa noturna e queimou a espuma de revestimento acústico. O fogo se alastrou rapidamente e gerou uma fumaça formada por monóxido de carbono com cianeto que matou 241 pessoas, pois 100% delas foram mortas por asfixia. O desastre ainda deixou, até o momento, 623 feridos. O inquérito foi feito pela Polícia Civil em 54 dias e tem 13 mil páginas, divididos em 52 volumes, já que mais de 810 depoimentos foram colhidos.

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