PF desarticula quadrilha de bicheiros com máfia israelense

Grupo comprava irregularmente veículos no exterior com dinheiro do jogo do bicho e de caça-níqueis

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

Treze pessoas foram presas até o momento na megaoperação que a Polícia Federal realiza desde o início da manhã desta sexta-feira (7) em 14 estados e no Distrito Federal. A ação tem como objetivo desarticular um esquema de importação irregular de veículos de luxo seminovos para lavagem de dinheiro oriundo de atividades de contravenção, como jogo do bicho e caça-níqueis. A fraude era realizada por bicheiros e dois membros da máfia israelense .

De acordo com a Receita Federal, que apóia a ação, a importação de veículos usados, de modo geral, não é autorizada. Apenas veículos antigos, desde que com mais de 30 anos de fabricação para fins culturais e de coleção, podem ter a importação autorizada.

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São aceitos também nesses casos os veículos antigos como parte de herança aberta no exterior, e os importados por missões diplomáticas, repartições consulares e representações de organismos internacionais.

As investigações feitas pela Polícia Federal apontam que os envolvidos no esquema fraudavam a documentação e usavam essas exceções existentes para a importação de veículos usados para contrabandear os carros. No Brasil, os automóveis eram revendidos pelo preço de mercado sem que os impostos devidos fossem pagos. A estimativa é de que entre 2009 e 2011 o número de veículos importados por meio fraudulento tenha ultrapassado 500.

Gabriel de Paiva / Agência O Globo
Agentes foram até uma concessionária na Barra da Tijuca, suspeita de vender carros irregulares

Esquema

O dinheiro usado para comprar os automóveis no exterior era oriundo de atividades de contravenção, como jogo do bicho e exploração de máquinas caça-níqueis. Dois homens de nacionalidade israelense - Yoram El Al e Meir Zloff - que vivem no Brasil e integram uma organização criminosa internacional conhecida como “Abergil Family” (Clã Albergil) realizavam os contatos com pessoas no exterior para trazer os automóveis importados.

Com a venda no Brasil dos carros de luxo seminovos, o dinheiro da contravenção era regularizado. Entre os locais visitados pelos policiais federais durante a operação desta sexta-feira estão três concessionárias de revenda de veículos importados localizadas na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. Os estabelecimentos pertenceriam a Haylton Escafura, um dos filhos do contraventor José Caruzzo Escafura, mais conhecido como Piruinha.

Prisões

No total foram expedidos pela Justiça 22 mandados de prisão e 119 de busca e apreensão. Dos 13 presos, dez foram detidos no Rio e, três, no Espírito Santo. Entre os presos estão três policiais militares que davam apoio ao grupo criminoso. Eles foram identificados como Ângelo Silva Martins, Anderson Barros e Júlio Cesar Bueno.

Os israelenses envolvidos no esquema foram detidos, mas Haylton Escafura ainda é procurado pelos agentes. A PF informou ainda que vai solicitar um bloqueio de bens estimados no valor de R$ 50 milhões.

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“A Polícia Federal vem deixando claro que o jogo de azar não é algo romântico, mas uma organização que gera prejuízos à sociedade e pratica diversos crimes, como a lavagem de dinheiro”, declarou o superintendente regional da PF, delegado Valmir Lemos de Oliveira.

De acordo com a PF, os presos deverão responder pelos crimes contra a economia popular, formação de quadrilha, crimes contra ordem tributária, lavagem de capitais e evasão de divisas.

Eles estarão sujeitos, de acordo com a participação, a penas de até 10 anos de prisão que poderão ser acumuladas ou aumentadas. A ação desta sexta-feira é realizada com a Receita Federal e a investigação contou com o apoio de agências de inteligência de Israel, da Inglaterra e dos Estados Unidos.

“Hoje trabalhamos com a atividade específica de crime contra o sistema financeiro de lavagem de dinheiro, mas não descartamos o tráfico de drogas e outras atividades ilícitas”, finalizou Lemos de Oliveira.

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