Putin e Bolsonaro durante encontro em Moscou
Alan Santos/PR
Putin e Bolsonaro durante encontro em Moscou

A escalada de tensão dos últimos dias culminou no ataque da Rússia à Ucrânia, sob ordens de Vladmir Putin , na madrugada desta quinta-feira.

Enquanto isso, em Brasília, membros do governo discutem internamente a possibilidade de o Brasil abandonar a neutralidade na questão, o que iria de encontro à tradição diplomática do país.

Segundo o embaixador Cesário Melantonio Neto, colunista do iG , tal posição já foi adotada, visto que o presidente Jair Bolsonaro (PL) , em visita a Moscou, se disse "solidário" à Rússia, e não se pronunciou sobre a invasão até o momento.

"O Brasil já tomou partido nesta questão. O ocupante do Palácio do Planalto já declarou solidariedade à Rússia lá em Moscou, como todo mundo sabe. Agora que a Rússia invadiu a Ucrânia, ele está silencioso. Não se manifestou. Nós vamos ter que esperar uma decisão do Palácio do Planalto. Não adianta o Itamaraty soltar uma nota, como soltou, pregando a paz, se o ocupante do Palácio do Planalto fica quieto. Se ele fica quieto, até o momento ele está solidário com a invasão da Rússia à Ucrânia."

Neto, que ocupou o posto em países como Cuba, Turquia e Irã, afirma que as atitudes colocam o Brasil em posição desfavorável no cenário mundial.

"É uma tremenda saia justa para o Itamaraty e para os Diplomatas brasileiros. O Itamaraty tem uma posição de acordo com a Constituição brasileira, de acordo com a Carta das Nações Unidas e com todos os princípios do Direito Internacional, de condenar a invasão. O Palácio do Planalto continua silencioso e isso é muito grave para o Brasil", prossegue.

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Para ele, é um sinal de que a diplomacia brasileira está caminhando "na contramão da história".

"A tradição da diplomacia brasileira, desde o Barão do Rio Branco, em 1912, é de ser contra qualquer hostilidade, invasão de um país por outro. É uma situação muito complicada, mas o Brasil deveria se colocar ao lado dos países do ocidente, a União Europeia, os Estados Unidos, do Canadá, Austrália, Japão, que já condenaram abertamente o ataque da Rússia a Ucrânia".

Pela manhã, Bolsonaro discursou em São José do Rio Preto durante a inauguração de um complexo viário na BR-153. Nenhuma menção à invasão foi feita.

Em entrevista concedida nesta manhã, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que o Brasil não concordava com a invasão.

"O Brasil não está neutro. O Brasil deixou muito claro que ele respeita a soberania da Ucrânia. Então, o Brasil não concorda com uma invasão do território ucraniano. Isso é uma realidade", disse, ao chegar ao Palácio do Planalto.

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