Renan marca reunião com G7 para falar sobre relatório final da CPI da Covid
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Renan marca reunião com G7 para falar sobre relatório final da CPI da Covid

Relator da CPI da Covid,  Renan Calheiros (MDB-AL) entregará o esboço de seu parecer no dia 15 para os parlamentares do chamado G7, grupo de senadores independentes e de oposição que, além do próprio emedebista, integram a comissão. A distribuição da prévia, três dias antes da  leitura do relatório final, busca aplacar divergências que começaram a se disseminar na ala majoritária da CPI, uma vez que sugestões dos demais membros poderiam ser incluídas a tempo de constar no parecer oficial.

O GLOBO apurou que alguns integrantes da CPI não digeriram bem críticas feitas pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) ao parecer que Renan vem preparando. Aliados de Renan afirmam que Vieira, que anunciou a intenção de se lançar candidato à Presidência da República em 2022, buscaria “projeção” ao planejar apresentar um relatório próprio para ser anexado ao de Renan. Vieira, contudo, diz que o objetivo é outro.

"Temos que garantir um relatório técnico e sem contaminação política excessiva. Um texto que contenha menos adjetivos e mais fatos. No tocante ao presidente Jair Bolsonaro, me chama a atenção a questão do charlatanismo, que Renan e alguns juristas sugerem imputar. Na minha opinião, acho que não está configurado. Por outro lado, defendo o indiciamento do Braga Netto (ministro da Defesa) e não sei se há um consenso quanto a isso", disse Vieira.

Durante parte da gestão na pandemia, Braga Netto ocupou a Casa Civil e teria influenciado em decisões do Ministério da Saúde. O GLOBO apurou que, até o momento, Renan não incluiu pedido de indiciamento de Braga Netto no parecer que vem redigindo.

Vieira afirmou que Renan havia informado que procuraria individualmente todos os senadores do G7, e avaliou que a nova iniciativa, de compartilhar a íntegra do relatório, é boa para “dirimir dúvidas”.

Para o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), a tendência é que o G7 vote unido no parecer apresentado por Renan.

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"A tendência é que, diante das provas colhidas pela CPI, haja coesão do G7 na votação do relatório, mas não posso falar por todos os integrantes", afirmou Aziz.

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Pedido de indiciamento

Na terça-feira, Renan afirmou que seu relatório vai propor o indiciamento de Bolsonaro e de outras 30 pessoas por supostos crimes cometidos na pandemia.

"Não vamos falar grosso na investigação e miar no relatório", disse.

No G7, há insatisfações que vão além de pontos do relatório. Senadores como o próprio Vieira e Otto Alencar (PSD-BA) são contra a iniciativa de Renan de promover uma apresentação musical durante a cerimônia de encerramento da CPI.

"Acho que o encerramento tem que ter sintonia com a gravidade do que foi apurado pela comissão e que não se permita parecer com cena política, com objetivo de angariar dividendos políticos. A CPI é séria, dolorosa, difícil. Há oito dias, recebi no meu celular ameaça de morte de um número desconhecido. Mas não tenho sido ouvido. Os novos não estão ouvindo os mais velhos", disse Otto, que foi contra convocar o empresário Luciano Hang para depor, por se tratar de uma pessoa que “queria palanque para aparecer”.

A equipe do Renan Calheiros entrou em contato com Ivan Lins para sondar a viabilidade de o artista cantar a música “Aos nossos filhos” durante o encerramento dos trabalhos. A letra da canção tem frases como “perdoem a falta de abraço”, “perdoem a falta de abrigo”, “perdoem a a falta de ar”. A ideia é que o cantor, que está em Portugal, apresente-se pessoalmente na cerimônia de encerramento, dia 19, ou então em uma transmissão ao vivo realizada da Europa.

Déa Lúcia, mãe do artista Paulo Gustavo, que morreu em decorrência de Covid-19, chegou a ser convidada para participar da cerimônia, mas preferiu não participar do evento.

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