Tamanho do texto

Movimentos de Dodge para ser reconduzida ao cargo dividem procuradores; atual procuradora-geral não se candidatou e ficou de fora da lista tríplice

componentes da lista tríplice da PGR arrow-options
Divulgação/ANPR
Mário Bonsaglia, Luiza Frischeisen e Blal Dalloul compõem lista tríplice para a PGR

Procuradores e procuradoras-chefes do Ministério Publico Federal (MPF) publicaram uma nota conjunta reforçando que o novo procurador-geral da República seja escolhido na lista tríplice , formada após votação na Associação Nacional de Procuradores da Repúblicas (ANPR). Os três membros do MPF mais votados pelos membros da instituição foram Mário Bonsaglia, Luiza Frischeisen e Blal Dalloul.

Leia também: Bolsonaro não cita crise e usa Itaipu para falar de criação de peixes em live

Na nota, os procuradores afirmam respeitar a decisão do presidente da República e “contam com sua criteriosa análise dos nomes constantes da lista tríplice e de tudo o que ela representa, tanto para o MPF quanto para a sociedade, garantindo que o Procurador-Geral escolhido tenha a legitimidade e a liderança indispensáveis ao bom exercício dessa importante função”.

O posicionamento dos procuradores-chefes coincide com os movimentos da atual procuradora-geral  Raquel Dodge  para ser reconduzida ao cargo sem passar pelo escrutínio da habitual lista tríplice. Os movimentos de Dodge dividiram sua equipe direta de procuradores, aqueles que foram escolhidos por ela para integrar seu gabinete.

Leia também:  Força-tarefa da Lava Jato: Dallagnol não pediu investigação contra Toffoli

Dodge à disposição

Dodge quer ser procuradora-geral por mais dois anos e passou a se movimentar no tabuleiro político para ser indicada pelo presidente Jair Bolsonaro.  Ela disse estar à disposição .

O gesto provocou uma divisão dentro de casa. A equipe que atua na área criminal da PGR , formada por procuradores e procuradores regionais da República, se opõe a uma recondução ao cargo fora da lista, enquanto o vice-procurador-geral, o vice-procurador-eleitoral e outros subprocuradores-gerais defendem a postura de Dodge e apontam vícios na atual disputa pelo posto de chefe máximo do Ministério Público Federal (MPF).

Segundo a nota do colegiado de procuradores-chefes do MPF, “a lista tríplice para a escolha da chefia da instituição passou por um longo caminho de evolução e tem se mostrado mecanismo bastante eficiente para conciliar a vontade do chefe do Executivo à legitimidade interna necessária para que o Chefe do Ministério Público exerça uma real liderança dos Membros da instituição”.

Para o colegiado dos procuradores e procuradoras-chefes, os nomes da lista tríplice , Bonsaglia, Frischeisen e Dalloul “possuem reputação ilibada e longo histórico de serviços prestados à sociedade, bem como, por força da votação recebida, possuem capacidade para liderar a instituição pelos próximos dois anos”.

Leia também: Bolsonaro ameaça deixar o PSL se partido não "arrumar a casa"

Assinam a nota 49 membros do MPF, ocupantes dos cargos de procurador-chefe e procurador-chefe substituto espalhados por todas as unidades da Federação.