El Niño faz país colocar 80% do território em alerta de seca

Medida alcança 234 municípios e prevê ações para garantir água, alimentos e apoio a produtores rurais, uma das populações mais atingidas pelo fenômeno

Temperatura média da superfície do mar no Equador, no Oceano Pacífico tropical durante a primeira semana de junho de 2026
Foto: Reprodução/NOAA Satellites
Temperatura média da superfície do mar no Equador, no Oceano Pacífico tropical durante a primeira semana de junho de 2026

O governo de Honduras colocou 234 dos 298 municípios do país em alerta por causa da seca  ligada ao fenômeno do Super El Niño . A medida, anunciada nesta quarta-feira (19), inclui a capital, Tegucigalpa, e não tem prazo para terminar.

A falta de chuva já  destruiu parte das plantações e provocou a morte de animais por falta de água,  aumentando a preocupação com a produção de alimentos.

Segundo o presidente hondurenho, Nasry Asfura, a crise deve se estender até março ou abril de 2027.

O órgão hondurenho responsável pela gestão de riscos , conhecido como COPECO, dividiu os municípios em três níveis de alerta. São 75 em alerta vermelho, 71 em amarelo e 88 em verde.

O alerta vermelho é o nível mais grave e exige medidas para proteger a população. No amarelo, os moradores devem ficar preparados para seguir as orientações das autoridades. Já o verde indica que a população deve acompanhar os comunicados oficiais.

Tegucigalpa, que tem cerca de 1,7 milhão de habitantes, está entre as áreas em alerta vermelho.

Falta de chuva reduz água disponível

Segundo o Centro Nacional de Estudos Atmosféricos, Oceanográficos e Sísmicos de Honduras (CENAOS), o período de chuvas começou mais tarde que o esperado. Com isso, o país acumula uma falta de 100 a 200 milímetros de chuva. Na prática, isso significa menos água disponível para o consumo da população e para os animais.

As autoridades também preveem temperaturas entre 0,5 °C e 1 °C acima do normal , principalmente entre março e agosto. A região sul de Honduras está entre as áreas que podem sofrer os maiores impactos.

Para tentar reduzir os efeitos da seca, o governo de Honduras anunciou uma série de  medidas de emergência,  como a perfuração de novos poços, a construção de mais reservatórios para guardar água, o envio de máquinas para as áreas afetadas e a distribuição de alimentos às famílias.

Também estão previstas ações de saúde, distribuição de água e apoio aos produtores rurais. A intenção é ajudar as comunidades atingidas e manter a produção de alimentos e a  criação de animais durante o período de seca.


O que é o El Niño

O El Niño acontece quando as águas da superfície do Oceano Pacífico, perto da linha do Equador, ficam mais quentes do que o normal. Esse aquecimento altera os ventos e a pressão do ar e pode mudar as temperaturas e a quantidade de chuva em diferentes partes do mundo.

O episódio atual é considerado um dos mais fortes já registrados . Uma das áreas mais vulneráveis é o chamado Corredor Seco da América Central, uma faixa de território que passa por Honduras e sofre com períodos de pouca chuva e altas temperaturas.

Segundo o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas, a América Central deve ser a região mais afetada pela fome agravada pelo El Niño.

Ainda, cerca de 110 milhões de pessoas, do México ao norte do Brasil, incluindo áreas próximas ao Oceano Pacífico e ao Planalto das Guianas, enfrentaram em julho o mês mais quente já registrado nessas regiões .

No Peru, um terço das cidades entrou em estado de emergência por causa dos efeitos do El Niño. O país informou que o calor intenso e as chuvas também poderiam prejudicar a produção de alimentos.

Na Indonésia, o fenômeno foi apontado como um dos fatores que agravaram uma seca que contribuiu para uma das temporadas de incêndios florestais mais severas dos últimos anos.