Super El Niño pode ter efeitos catastróficos; veja o que esperar

Fenômeno segue crescendo em ritmo acelerado e impactos já podem ser sentidos no Brasil; especialistas alertam para outros impactos

No ano passado, o mês com o maior número de queimadas foi setembro
Foto: Marcos Vicentti/Secom
No ano passado, o mês com o maior número de queimadas foi setembro

O El Niño segue se intensificando e a previsão indica mais de 90% de probabilidade de um episódio muito forte , conforme relatório da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), a agência de tempo e clima do governo dos Estados Unidos.

Em outras ocasiões, o fenômeno já provocou tragédias, mortes, êxodos e episódios extremos, em diversos momentos da história.

Segundo o maior especialista em El Niño do mundo, Michael Mcpaden, cientista do NOAA, se este ano não for o mais quente já registrado, 2027 com certeza vai ser.

Temos um monstro de El Niño se aproximando, em um planeta já mais quente por causa do aquecimento global."
Michael Mcpaden

A declaração foi feita em uma reportagem do Fantástico exibida neste domingo (16). Sendo assim, podemos ter mais efeitos devastadores, que podem afetar a humanidade de diferentes formas.

O fenômeno já havia sido classificado com intensidade forte em índices de monitoramento,  tornando-se um Super El Niño.

Com o El Niño, uma das maiores dificuldades dos meteorologistas é conseguir fazer uma previsão do tempo mais assertiva, conforme mostrou a reportagem. O fenômeno causa alteração nos modelos climáticos e gera uma dificuldade de previsão.

Além disso, o comportamento do clima do passado já não serve mais como referência. Com isso, cientistas já alteraram o modelo dos computadores que fazem a previsão do tempo.

Mesmo assim, os especialistas afirmam que os efeitos do El Niño serão sentidos até depois do pico , que está previsto para dezembro.

Portanto, as previsões indicam uma tendência de temperatura acima da média no Brasil, com uma  onda de calor intensa, tempo seco e queimadas.

Em Roraima, por exemplo, ainda este ano há o risco de seca e muito fogo. O restante da Amazônia deve ficar ainda mais seco depois de um período de chuva, que já será mais curto no próximo ano.

Por outro lado, no Sul do país, especialmente no Rio Grande do Sul, há o risco de chuvas intensas, enchentes e deslizamentos, como ocorreu em 2024.

A tendência, neste ano, é de que sejam acumulados mais de 470 mm de água até o dia 24 de setembro na região. O número é considerado muito alto para esta época do ano e pode causar transtornos.

Porém, o mundo inteiro deve sofrer consequências. Com o clima alterado, o El Niño traz também um impacto na produção de alimentos, gerando uma escassez de alimentos.

Com a cadeia produtiva afetada e a escassez de alimentos, o bolso da população também vai ser impactado. A reportagem mostra também que o preço dos alimentos deve subir.

É um impacto também na economia mundial, que sofre também com prejuízo na infraestrutura causado pelos estragos que o clima extremo traz.

A última vez que o Pacífico atingiu o patamar de  Super El Niño foi em 2023. A diferença é que, em 2026, o aquecimento atingiu o mesmo patamar muito antes do esperado.

Naquele ano, a intensidade muito forte foi alcançada pelo Índice Oceânico Niño (ONI) apenas no final de novembro.

El Niño

El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial — ou seja, próximo à linha do Equador. Geralmente, ocorre num intervalo de cinco a sete anos e pode durar entre um ano e dois anos, iniciando-se por volta do mês de dezembro.

Comumente, a temperatura varia entre 2 ºC e 3,5 ºC, levando em consideração que, em condições normais, a temperatura das águas superficiais do Pacífico é de 23 ºC.

Com o aquecimento acima da média do Pacífico, altera-se a circulação atmosférica e, consequentemente, os níveis de chuva e as temperaturas em vários locais do planeta.