El Niño ganha força e pode bater recorde histórico

Fenômeno se intensifica no Pacífico e NOAA vê 69% de chance de evento histórico entre outubro e dezembro; entenda os impactos

El Niño ganha força e pode bater recorde histórico
Foto: Reprodução / Nasa
El Niño ganha força e pode bater recorde histórico

O El Niño está se intensificando rapidamente e pode atingir uma das maiores intensidades já registradas desde o início das medições modernas. Um novo relatório da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), a agência de tempo e clima do governo dos Estados Unidos, divulgado nesta quinta-feira (13), aponta mais de 90% de probabilidade de um episódio muito forte entre o outono e o inverno de 2026-2027 no Hemisfério Norte.

A previsão também indica que o fenômeno deve continuar ganhando força até o fim deste ano. Para o período entre outubro e dezembro, a agência estima em 69% a possibilidade de o El Niño  atingir uma intensidade considerada histórica, superando eventos anteriores registrados desde 1950.

O cenário chama atenção porque o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial influencia a circulação da atmosfera e pode alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do mundo, inclusive no Brasil.

Água do Pacífico passa por forte aquecimento

Segundo a NOAA, as temperaturas da superfície do mar no Pacífico Equatorial Oriental estão mais de 2°C acima da média . Em julho, o índice Niño-3.4, uma das principais referências para acompanhar o fenômeno, chegou a +1,4°C.

Nas regiões próximas ao Peru e ao Equador, o aquecimento foi ainda maior. O índice Niño-1+2 alcançou +2,9°C no mês passado.

Outro sinal importante está abaixo da superfície do oceano. As temperaturas chegaram a ficar até 10°C acima da média em determinadas profundidades, indicando uma grande quantidade de calor armazenada no Pacífico.

Esse calor subterrâneo é relevante para a evolução do fenômeno porque pode alimentar o aquecimento da superfície nos próximos meses.

El Niño pode superar eventos históricos

A NOAA afirma que existe 69% de probabilidade de que o fenômeno entre outubro e dezembro de 2026 alcance uma intensidade que ultrapasse episódios anteriores, considerando o índice RONI em média de três meses.

O RONI é uma medida usada para avaliar a temperatura do Pacífico levando em consideração também o comportamento das águas tropicais ao redor. Isso permite identificar de maneira mais precisa quanto o aquecimento do Pacífico Equatorial está acima do padrão das demais regiões tropicais.

Caso o cenário previsto se confirme, o episódio de 2026 poderá entrar na lista dos El Niños mais fortes já observados.

No entanto, a NOAA ressalta que uma intensidade excepcional aumenta a probabilidade de impactos típicos do fenômeno, mas não significa que todos eles necessariamente acontecerão.

O que é o El Niño

O El Niño é um fenômeno climático caracterizado principalmente pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial, acompanhado por alterações na circulação dos ventos e da atmosfera.

Esse processo interfere na distribuição de calor e umidade pelo planeta. Como consequência, regiões muito distantes do Pacífico podem experimentar mudanças nos padrões habituais de chuva e temperatura.

O fenômeno faz parte do sistema El Niño-Oscilação Sul (ENSO), que também inclui a La Niña, associada ao resfriamento anormal das águas do Pacífico Equatorial.

Como o fenômeno pode afetar o Brasil

Os efeitos do El Niño no Brasil não são iguais em todas as regiões e também dependem da intensidade do episódio e de outros fatores atmosféricos.

De maneira geral, o fenômeno pode favorecer alterações importantes no regime de chuvas. O Sul do país costuma ter maior probabilidade de registrar períodos de chuva acima da média, enquanto partes do Norte e do Nordeste podem enfrentar redução das precipitações em determinados períodos.

O Centro-Oeste e o Sudeste também podem sofrer mudanças na distribuição das chuvas e nas temperaturas, embora os efeitos variem ao longo do episódio.

Por isso, uma eventual classificação do El Niño como histórico não significa automaticamente que todo o Brasil terá mais chuva ou mais calor. A resposta do clima depende da interação do fenômeno com outros sistemas meteorológicos e oceânicos.


Fenômeno continua se fortalecendo

Além do aquecimento do oceano, a NOAA identificou mudanças na atmosfera que reforçam a presença do El Niño.

Durante julho, foram observadas alterações nos ventos em diferentes níveis da atmosfera, aumento da convecção e da chuva sobre o Pacífico central e oriental e redução da precipitação sobre a Indonésia.

Os índices relacionados à Oscilação Sul, por sua vez, permaneceram significativamente negativos, outro sinal associado ao fortalecimento do El Niño.

Segundo a agência americana, o conjunto das alterações no oceano e na atmosfera mostra que o sistema está claramente em processo de intensificação.

Quando o El Niño deve atingir o pico

A previsão oficial indica que o fenômeno deve continuar se fortalecendo até o fim de 2026. O período entre outubro e dezembro aparece como uma das principais janelas para a ocorrência de uma intensidade excepcional.

A NOAA destaca que previsões climáticas de longo prazo estão sujeitas a atualizações conforme novas informações sobre o oceano e a atmosfera são incorporadas aos modelos.

A próxima Discussão de Diagnóstico do ENSO da agência está prevista para 10 de setembro de 2026, quando uma nova avaliação deverá mostrar se o aquecimento continua dentro do cenário projetado.