
Os impactos do El Niño já estão sendo sentidos em algumas partes do país, especialmente no Sul. O fenômeno segue ganhando força e já atingiu intensidade forte em índices de monitoramento, se tornando um Super El Niño.
Sendo assim, de acordo com o meteorologista do Climaterra, Ronaldo Coutinho, o cenário exige muita atenção. A tendência é de que sejam acumulados mais de 470 mm de água até o dia 24 de setembro.
A previsão foi publicada na manhã desta terça-feira (11).
O número é considerado muito alto para esta época do ano e pode causar transtornos na Região Sul, principalmente no Oeste de Santa Catarina e no Noroeste do Rio Grande do Sul, onde é esperado o grande acumulado.
As outras regiões do Brasil também devem ser atingidas pelas chuvas, como o Centro-Oeste e o Nordeste, com registro de acumulados significativos.
De acordo com a previsão, durante agosto, deve chover de forma expressiva em estados como Amazonas, Mato Grosso, Goiás, Tocantins e Minas Gerais.
O especialista também afirma que agora não há mais discussão se vai ter um Super El Niño, ele já está acontecendo. Mesmo intenso, o fenômeno ainda está longe do pico.
Segundo os registros, as águas do Pacífico já estão em uma marca de +2,3ºC. Este número significa que o El Niño é de intensidade muito forte
A última vez que o Pacífico atingiu o patamar de Super El Niño foi em 2023. A diferença é que, em 2026, o aquecimento atingiu o mesmo patamar muito antes do esperado.
Naquele ano, a intensidade muito forte foi alcançada pelo Índice Oceânico Niño (ONI) apenas no final de novembro. A medição é feita pela Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA).
El Niño
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial — ou seja, próximo à linha do Equador. Geralmente, ocorre num intervalo de cinco a sete anos e pode durar entre um ano e dois anos, iniciando-se por volta do mês de dezembro.
Comumente, a temperatura varia entre 2 ºC e 3,5 ºC, levando em consideração que, em condições normais, a temperatura das águas superficiais do Pacífico é de 23 ºC.
Com o aquecimento acima da média do Pacífico, altera-se a circulação atmosférica e, consequentemente, os níveis de chuva e as temperaturas em vários locais do planeta.