Anomalia do Super El Niño pode atingir até 2°C; entenda

Fenômeno segue crescendo em ritmo acelerado e está prestes a alcançar novo patamar em classificação; impactos já são sentidos no país

El Niño
Foto: Reprodução/Metsul
El Niño

O aquecimento das águas do Oceano Pacífico segue crescendo em ritmo acelerado. Sendo assim, o Super El Niño segue ganhando força e está prestes a alcançar a categoria de intensidade muito forte, definido pela anomalia de +2°C.

As informações são dos meteorologistas da Meteored. De acordo com os especialistas, na última semana, a região de monitoramento do El Niño, conhecida como Niño 3.4, registrou +1,8°C de anomalia relativa de temperatura da superfície do mar (TSM).

A medida faz com que faltem apenas 0,2°C para que o fenômeno alcance oficialmente o patamar de +2°C, que classifica a intensidade do El Niño como muito forte.

A previsão indica que, nos próximos dias, um pulso da Oscilação Madden-Julian (MJO) vai se deslocar pelo Oceano Pacífico, o que deve favorecer um novo aquecimento, fazendo com que o  El Niño alcance o patamar de +2°C.

O fenômeno  já havia sido classificado com intensidade forte em índices de monitoramento, se tornando um Super El Niño.

A Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA) ainda precisou ampliar para 8°C o limite máximo da escala usada em mapas para medir o El Niño.

O número representa as condições nos primeiros 300 metros do oceano. Segundo o Meteored, a mudança mostra a magnitude das anomalias observadas.

Mesmo intenso, o fenômeno ainda está longe do pico , que está previsto para acontecer entre outubro e dezembro.

A última vez que o Pacífico atingiu o  patamar de Super El Niño foi em 2023. A diferença é que, em 2026, o aquecimento atingiu o mesmo patamar muito antes do esperado.

Naquele ano, a intensidade muito forte foi alcançada pelo Índice Oceânico Niño (ONI) apenas no final de novembro.

Chuvas até setembro

Os impactos do El Niño já estão sendo sentidos em algumas partes do país, especialmente no Sul.

Sendo assim, de acordo com o meteorologista do Climaterra, Ronaldo Coutinho, o cenário exige muita atenção.

A tendência é de que  sejam acumulados mais de 470 mm de água até o dia 24 de setembro.

O número é considerado muito alto para esta época do ano e pode causar transtornos na Região Sul, principalmente no Oeste de Santa Catarina e no Noroeste do Rio Grande do Sul.

El Niño

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial — ou seja, próximo à linha do Equador. Geralmente, ocorre num intervalo de cinco a sete anos e pode durar entre um ano e dois anos, iniciando-se por volta do mês de dezembro.

Comumente, a temperatura varia entre 2 ºC e 3,5 ºC, levando em consideração que, em condições normais, a temperatura das águas superficiais do Pacífico é de 23 ºC.

Com o aquecimento acima da média do Pacífico, altera-se a circulação atmosférica e, consequentemente, os níveis de chuva e as temperaturas em vários locais do planeta.