
Após ataques na madrugada deste sábado (03), a Milicia Bolivariana entrou em ação nas ruas da capital Caracas. Fundada oficialmente em 2005 pelo então presidente Hugo Chavez, a Milícia Nacional Bolivariana nasceu com o nome de Reserva Militar y Movilización Nacional e somente em 2009 passou a ser conhecida com o nome atual.
Em seu site oficial a história da Milícia é remontada desde a colonização espanhola, quando os colonizadores já usavam esse tipo ajuntamento militar para defender seus interesses e combater inimigos internos e externos.
Após a morte de Chavez, em 2013, Nicolás Maduro venceu as eleições e assumiu o poder. Logo no início de seu mandato, o grupo ganhou cada vez mais importância, e, em 2020 , a milícia passou a compor uma das cinco Forças Armadas da Venezuela. Os integrantes, que se alistam voluntariamente, em sua maioria aposentados e servidores públicos, recebem treinamento para defesa pessoal e do território.
Equipamentos e composição

No treinamento do grupo miliciano, os combatentes são ensinados a operar armas atuais e antigas que estão à disposição das forças armadas, além de alguns serem selecionados para treinamentos mais específicos, como operação de sistemas antiaéreos. O armamento utilizado varia, desde fuzis russos modernos, como o AK-103, que também é utilizado pelas forças regulares e os FAL, de origem belga. Ainda há relatos de armas da Segunda Guerra Mundial sendo usadas até hoje, como fuzil russo Mosin-Nagant, criado em 1891.

A doutrina militar da milícia difere da das Forças Armadas oficias, que seguem uma ideia de defesa nacional. Para as milicias, o conceito é "Guerra de Todo o Povo", com forte inspiração no Vietnã e Cuba. A ideia é que, se o exército regular cair, a população armada fará uma guerra contra o invasor, transformando cada rua de Caracas em uma zona de conflito.
Alguns analistas internacionais levantam questionamentos sobre a verdadeira função das milícias. Elas seriam um instrumento exclusivo de defesa da Venezuela ou uma forma de controle social por parte do governo.
Aumento das tensões
Desde a escalada da pressão e ataque a navios venezuelanos por parte dos Estados Unidos, no final de 2025, Maduro intensificou ainda mais a propaganda e incentivo a Milícia Nacional Bolivariana.
Em dados oficias divulgados pela Venezuela, o líder afirmou que a mobilização chega a 4,5 milhões de voluntários. Analistas militares contestam, afirmando que gargalos logísticos inviabilizam esses números, como, por exemplo, a falta de munição, apesar da instalação de uma fábrica russa no mês de julho de 2025.
Significado de “milícia”
Na sua origem, milícia é qualquer organização armada que não faz parte das Forças Armadas oficiais do país. No Brasil, a ideia mais comum é associar o termo milicia aos grupos paramilitares que dominam territórios para exploração econômica ilegal, atuando como um poder paralelo. Entretanto, é preciso entender as diferenças entre o fenômeno criminal brasileiro e o conceito aplicado na Venezuela.
A origem da palavra deriva do latim militia. A organização venezuelana resgata a ideia de força auxiliar composta por cidadãos. Diferentemente das milícias brasileiras, a Milícia Bolivariana é uma instituição pública, constitucional e integrada à cadeia de comando oficial.
