Ruy Ferraz Fontes dedicou mais de 40 anos de carreira à Polícia Civil
Divulgação/PCSP
Ruy Ferraz Fontes dedicou mais de 40 anos de carreira à Polícia Civil

O ex-delegado geral da Polícia Civil, Ruy Ferraz Fontes, foi morto a tiros no último dia 15 de setembro, na Praia Grande, a mando do alto escalão do Primeiro Comando da Capital (PCC), por vingança, devido à sua atuação contra a facção criminosa ao longo da carreira.

Essa foi a conclusão do Ministério Público de São Paulo que, nesta sexta-feira (21), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ofereceu denúncia contra oito pessoas por homicídio qualificado, duas tentativas de homicídio, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, favorecimento pessoal e por integrar organização criminosa armada.

A denúncia é resultado da conclusão da primeira fase das investigações realizadas pela força-tarefa criada pela Secretaria de Estado da Segurança,  logo após a execução de Fontes.

Segundo a investigação da Polícia Civil, os denunciados planejaram e executaram a vítima, que atuou por mais de 40 anos na instituição e era alvo de uma ordem emitida pelo alto escalão do PCC, chamada de sintonia geral, para eliminá-lo por conta da sua atuação contra a facção.

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O ex-delegado ingressou na Polícia Civil no início dos anos 1980 e atuou em unidades estratégicas, como Denarc, Dope e Deic.

No início dos anos 2000, passou a divulgar organogramas da estrutura do PCC e liderou, em 2006, o indiciamento da cúpula da facção, incluindo Marcos Camacho, o Marcola.

O crime

Ainda segundo o MPSP, o grupo criminoso iniciou o planejamento em março de 2025, com furto de veículos, aquisição de armamentos e definição de imóveis para apoio logístico.

No dia do crime, os executores emboscaram a vítima na saída da Prefeitura de Praia Grande, efetuando dezenas de disparos com fuzis. Após a execução, os criminosos atearam fogo em um dos veículos utilizados e se dispersaram.

"Para elucidar os fatos, foram empregadas técnicas avançadas de investigação que permitiram reconstruir a dinâmica do crime e vincular os denunciados à execução", afirma o Gaeco.

O crime foi praticado com emprego de armas de fogo de uso restrito, em emboscada, e resultou também em duas tentativas de homicídio contra pessoas que passavam pelo local e foram atingidos por disparos.


As investigações apontaram que os denunciados utilizaram veículos furtados, imóveis de apoio na Baixada Santista e aplicativos de transporte para viabilizar a ação.

Além dos denunciados, um dos envolvidos identificados, Umberto Alberto Gomes, de 39 anos, morreu no curso das investigações ao resistir à prisão.

Foram denunciados como executores e participantes do plano Felipe Avelino da Silva (vulgo Mascherano); Flávio Henrique Ferreira de Souza (Beicinho ou Neno); Luiz Antonio Rodrigues de Miranda (Gão ou Vini); Dahesly Oliveira Pires; Willian Silva Marques; Paulo Henrique Caetano de Sales (13 ou PH); Cristiano Alves da Silva (Cris Brown) e Marcos Augusto Rodrigues Cardoso (Pan, Fiel ou Penelope Charmosa).

"O Gaeco continuará acompanhando as investigações da Polícia Civil, que prosseguem em relação aos suspeitos já identificados, mas ainda não denunciados, bem como para a identificação de outras pessoas envolvidas no crime", conclui comunicado do MPSP.

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