
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos começou a divulgar, nesta sexta‑feira (19), “várias centenas de milhares” de documentos relacionados às investigações sobre Jeffrey Epstein, o financista condenado por crimes sexuais contra menores.
De acordo com a ABC News, a liberação atende a um prazo estabelecido pela Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, sancionada pelo presidente Donald Trump no mês passado após forte reação pública e pressão do Congresso.
Durante participação no programa Fox and Friends, o vice‑procurador‑geral Todd Blanche afirmou que espera que mais documentos sejam divulgados nas próximas semanas. “Espero que vamos liberar várias centenas de milhares de documentos hoje… e então, nas próximas semanas, espero várias centenas de milhares a mais”, declarou.
Democratas criticam divulgação parcial
Parlamentares democratas reagiram no mesmo dia às declarações de Blanche, se opondo à liberação parcial dos arquivos.
Blanche ressaltou que o foco do Departamento de Justiça é proteger as vítimas: “O que estamos fazendo é analisar cada documento que vamos produzir, garantindo que cada vítima, seu nome, sua identidade, sua história, na medida em que precisa ser protegida, está completamente protegida.”
A lei autoriza o Departamento de Justiça a esconder informações que identifiquem as vítimas e a manter sob sigilo documentos que possam comprometer investigações federais em andamento ou processos ainda abertos.
Revisão judicial e equipe reforçada
Uma decisão de um juiz do Distrito Sul de Nova York determinou que a administração comprovasse que a revisão está protegendo integralmente as identidades das vítimas, o que, segundo Blanche, prejudicou parcialmente o cronograma da divulgação.
Para acelerar a revisão, o DOJ recrutou dezenas de advogados da Divisão de Segurança Nacional.
Os documentos incluirão fotografias e outros materiais associados a todas as investigações sobre Epstein, conforme disse Blanche.
Questionado sobre a possibilidade de surgirem novas acusações criminais após a liberação dos arquivos, Blanche disse que as investigações continuam, mas que não há novas acusações previstas.
Trump, teorias e transparência
Após sancionar a lei, o presidente Trump fez postagens nas redes sociais sugerindo que os documentos poderiam revelar ligações de políticos democratas com Epstein, apesar de ter sido amigo do financista no passado até um desentendimento por volta de 2004.

Críticos questionaram a real motivação de Trump e o peso de seu nome nos documentos, enquanto ele lançou acusações públicas contra figuras democratas associadas a Epstein.
O caso Epstein
Jeffrey Epstein tinha grandes propriedades em Nova York, Palm Beach (Flórida), Novo México e duas ilhas particulares nas Ilhas Virgens Americanas, locais onde teria atraído menores para encontros que evoluíram para abusos sexuais.
Em 2008, ele cumpriu 13 meses de prisão após um polêmico acordo de não acusação em Miami. Em 2019, foi indiciado pela Promotoria do Distrito Sul de Nova York por explorar sexualmente dezenas de meninas, algumas com apenas 14 anos.
Epstein morreu por suicídio em 2019 em uma prisão de Nova York enquanto aguardava julgamento.