
À primeira vista, a Psychotria elata parece ter dois grandes lábios vermelhos na ponta dos galhos. A aparência curiosa fez com que a planta ganhasse o apelido de flor-do-beijo. A espécie ainda é conhecida como flor-de-lábios, lábios-quentes ou planta-dos-lábios-quentes.
Mas os “lábios” não são as flores. Elas são brácteas, folhas modificadas que ficam ao redor das flores, ajudam a protegê-las e torná-las mais atraentes para animais polinizadores. Entre esses animais estão borboletas e beija-flores.
As estruturas vermelhas se destacam entre as folhas verdes. Conforme as flores se abrem, as brácteas começam a perder a coloração vermelha.
A espécie é um arbusto de quatro a cinco metros de altura, nativo de regiões de florestas tropicais úmidas das Américas. A planta-do-beijo vive naturalmente em ambientes quentes e úmidos, sob luz difusa ou meia-sombra, e é sensível ao frio e à geada.
Dados reunidos pelo Royal Botanic Gardens apontam a presença da espécie em países como Belize, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guatemala, Honduras, Jamaica, México, Nicarágua e Panamá.
Os registros mostram que ela nasce desde áreas próximas ao nível do mar até regiões com mais de 1.400 metros de altitude.
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Flores de verdade são brancas
Quando as brácteas se abrem, finalmente é possível ver as verdadeiras flores da planta, que podem chegar a cerca de 12 centímetros de comprimento. Elas são brancas, têm formato de tubo e ficam no centro das folhas modificadas.
Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso e da Universidade da Costa Rica descobriu que a planta possui dois tipos de flores, que se diferenciam principalmente pela posição de suas estruturas reprodutivas.
Em um tipo, os estames, responsáveis pela produção do pólen, ficam mais altos. No outro, é o estigma, estrutura que recebe o pólen, que fica em uma posição mais alta, característica que é chamada de distilia.
As folhas da espécie são simples e aparecem aos pares nos galhos. Algumas apresentam nervuras avermelhadas na parte de cima.
Depois da floração, a planta produz frutos de formato oval, que podem adquirir coloração azul ou preta quando estão maduros.
Usos da planta
Apesar de sua grande distribuição histórica, a espécie é considerada rara em algumas áreas e há registros de redução de suas populações em razão do desmatamento e da retirada de exemplares da natureza.
A planta também é utilizada na medicina popular por algumas comunidades tradicionais, que usam as cascas e as folhas em preparações para tratar problemas como erupções cutâneas, dores de ouvido e tosse.
Além da perda de habitat causada pelo desmatamento, a retirada de exemplares da natureza para uso tradicional e para fins ornamentais também é apontada como um fator de pressão sobre a espécie.