Plantas dentro de casa
Vadim Kaipov/Unsplash
Plantas dentro de casa

É comum que pessoas usem plantas dentro de casa na tentativa de deixar o ambiente mais agradável e melhorar a qualidade do ar. Mas realmente, uma planta ou outra é o suficiente para que elas possam produzir oxigênio suficiente para uma pessoa?

Segundo John Tregoning, professor do Imperial College London, uma planta produz apenas alguns litros de oxigênio por dia, enquanto uma pessoa consome cerca de 500 litros. Na prática, seriam necessárias centenas de plantas para produzir uma quantidade equivalente à consumida por uma pessoa.

Mas isso não significa que encher um quarto de vasos seja uma forma eficiente de melhorar o ar.

As plantas absorvem dióxido de carbono (CO₂) e liberam oxigênio durante a fotossíntese. Quanto maior a quantidade de luz disponível, maior pode ser a capacidade de algumas espécies de retirar gás carbônico do ambiente.

Tregoning explica que, se houver plantas suficientes, elas podem produzir mais oxigênio do que havia inicialmente no ambiente. O problema é a quantidade necessária.

É uma quantidade bastante absurda de plantas para ter em um cômodo John Tregoning, professor do Imperial College London.


Além disso, aumentar cada vez mais a quantidade de oxigênio dentro de um ambiente não é uma solução. “É bastante tóxico em níveis elevados”, diz Tregoning.

Estudos citam várias variáveis 

Uma pesquisa publicada em 2023 na revista científica Cleaner Engineering and Technology analisou como diferentes plantas podem retirar gás carbônico de ambientes internos. O estudo foi realizado com seis espécies populares no Sri Lanka, algumas delas bastante populares nos lares brasileiros: planta-aranha, lírio-da-paz, jiboia, espada-de-são-jorge, aglaonema e dracena.

Os pesquisadores colocaram as plantas em uma câmara de vidro fechada e acompanharam durante 24 horas as mudanças na quantidade de CO₂ no ambiente. O experimento foi feito com quatro níveis de iluminação, sendo 500, 1.000, 1.500 e 2.000 lux.

O lírio-da-paz apresentou a maior capacidade de absorver gás carbônico nos quatro níveis de iluminação usados no experimento. Em comparação com o período noturno analisado, sua absorção aumentou 148% com 500 lux, 260% com 1.000 lux, 309% com 1.500 lux e 392% com 2.000 lux.

A jiboia também teve aumento conforme a iluminação ficou mais intensa. Com 2.000 lux, o crescimento da absorção em relação ao período noturno chegou a 307%.

A espada-de-são-jorge apresentou um resultado diferente das outras espécies analisadas. Ela não mostrou uma mudança significativa na quantidade de dióxido de carbono liberada ou absorvida de acordo com a iluminação.

Os pesquisadores relacionaram esse comportamento a um tipo diferente de fotossíntese, chamado metabolismo ácido das crassuláceas, conhecido pela sigla CAM. Plantas que usam esse mecanismo conseguem absorver gás carbônico durante a noite e utilizá-lo posteriormente durante o dia. No estudo, porém, a espada-de-são-jorge apresentou emissão de CO₂ durante o período diurno. Por isso, os resultados dessa espécie não foram iguais aos observados nas demais plantas.

A capacidade de cada planta, porém, não depende apenas da espécie. O tamanho do exemplar, a quantidade de folhas, a iluminação, a água disponível, a diferença entre os vasos e outras condições também podem influenciar o resultado.

A pesquisa também mostrou que plantas expostas a pouca luz tiveram menor capacidade de retirar gás carbônico. Por isso, simplesmente colocar vasos em um ambiente escuro não produz o mesmo resultado observado no experimento.

Plantas não substituem a ventilação

Mesmo que algumas plantas consigam retirar CO₂ do ambiente, elas não substituem a necessidade de renovar o ar.

Tregoning afirma que uma quantidade elevada de gás carbônico pode deixar as pessoas com sensação de cansaço ou sonolência. Em locais com muitas pessoas e pouca circulação de ar, a ventilação insuficiente também pode facilitar a transmissão de resfriados e outras doenças.

Para ter um ar mais limpo e renovado dentro de uma casa ou escritório, o pesquisador destaca a importância de substituir regularmente o ar do ambiente. Uma das formas é manter as janelas abertas, quando isso for possível.


Tregoning ainda cita uma pesquisa realizada na década de 1980 com pacientes que estavam se recuperando de cirurgias. Em uma ala de hospital, as janelas tinham vista para árvores. Em outra, os pacientes viam uma parede de tijolos.

Os pacientes que podiam observar as árvores usaram menos medicamentos para controlar a dor e se recuperaram mais rapidamente do que aqueles que tinham vista para a parede.

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