
As campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) anunciaram um acordo, nesta quinta-feira (22), estabelecendo que ambos têm até 23h59 de hoje para apresentar as autorizações para quebra de sigilo dos dois candidatos e de familiares. Depois disso, caberá ao ministro André Mendonça, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e relator da ação, decidir se libera os conteúdos.
Mendonça é relator da petição em que Lula diz autorizar a divulgação de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico e de seus familiares. Se decidir liberar, o ministro terá que requisitar dados a operadoras de telefonia e ao Banco Central. Não há prazo para esse encaminhamento.
No início desta tarde, o presidente nacional do PT, Edinho Silva; o senador Camilo Santana (PT) e o ministro Guilherme Boulos atenderam a imprensa e apresentaram documento que prevê o acordo.
"A abertura será imediata, total, nas condições integrais aceitas por ambos, e simultânea para os dois candidatos. Os dados relativos às autorizações já apresentadas, próprias, de familiares, e de empresas, serão abertos e divulgados hoje, 22.10.2026", diz o acordo.
De acordo com o documento, André Mendonça deve requerer "ainda hoje, a requisição de dados ao Banco Central do Brasil, às instituições financeiras, à Receita Federal e às operadoras de telefonia, e sua divulgação simultânea no DivulgaCandContas ou em outro sítio eletrônico de acesso público".
Pedido de análise
Já a equipe jurídica de Flávio Bolsonaro afirmou que quer analisar os papéis referentes a quebras de sigilo entregues pela campanha do adversário antes de entregar a documentação relativa a Flávio.
Para essa análise, a campanha anunciou Deltan Dallagnol (Novo), ex-procurador da República e senador eleito pelo Paraná, e os advogados da campanha, Maria Cláudia Bucchianeri e Tracy Reinaldet. O senador e ex-juiz federal, Sergio Moro (PL-PR), também é cotado para ajudar à distância.
O desafio da quebra de sigilos
O desafio da quebra dos sigilos dos dois candidatos e familiares foi lançado por Lula durante o debate da Band, no último domingo (18). Na terça-feira, Lula anunciou que ia protocolar no TSE a autorização para a abertura de suas contas bancárias, do sigilo telefônico e fiscal, dos últimos 8 anos, desde que Flávio Bolsonaro fizesse o mesmo.
Na quarta, o PT protocolou o documento e, logo em seguida, o senador respondeu com uma lista de exigências, protocolada no TSE, para aceitar a proposta.
Entre os pedidos estão informações bancárias e fiscais de empresas ligadas aos filhos de Lula, registros de encontros do presidente com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, dados sobre a lobista Roberta Luchsinger e despesas do cartão corporativo da Presidência. Flávio também solicitou informações sobre voos da Força Aérea Brasileira (FAB), visitas aos palácios presidenciais e reuniões de pessoas próximas ao governo com autoridades.
Ainda na quarta-feira, a campanha de Lula anunciou que aceitaria todas as exigências de Flávio, desde que ele abrisse seu sigilo e dos familiares.