
A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quarta-feira (21), que o presidente aceita as condições impostas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário no segundo turno das eleições, para a quebra dos sigilos bancários, telefônicos e fiscal dos dois candidatos.
Na segunda-feira (20), Lula anunciou que ia protocolar documento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorizando a quebra do seu sigilo e dos familiares, nos últimos 8 anos, desde que Flávio fizesse o mesmo.
Um dia depois, em resposta, o candidato do PL impôs condições para abrir o seu sigilo e de familiares, entre elas, a ampliação do período para 20 anos.
Flávio exigiu também, no documento protocolado no TSE, que a quebra de sigilo incluísse assessores próximos de Lula, como Marco Aurélio Santana Ribeiro, o "Marcola", ex-chefe de gabinete; a divulgação integral de registros de visitantes no Palácio do Planalto e detalhes da reunião mantida entre Lula e Daniel Vorcaro em dezembro de 2024. Além disso, pediu esclarecimentos sobre as relações do governo com a lobista Roberta Luchsinger, sobre voos na Força Aérea Brasileira (FAB) e a quebra de sigilo do sindicalista Frei Chico, irmão de Lula.
Condições aceitas
Em resposta às condições do candidato do PL, o senador Camilo Santana (PT), integrante da coordenação nacional da campanha de Lula, disse que o presidente aceita as condições e vai protocolar uma resposta no TSE na quinta-feira (22), às 11 horas.
“E (sobre) todas as condicionantes que ele colocou, a única resposta que o presidente tem é dizer que o presidente não se opõe a absolutamente nada do que ele está propondo, contanto que ele também cumpra e abra tudo o que estava pedindo e que o presidente protocolou no TSE”, declarou Santana, em coletiva de imprensa em Brasília.
O desafio de abrir contas bancárias e conversas telefônicas foi lançado pelo presidente durante o debate da Band, no domingo (18).
Campanha questiona exclusão de empresa ligada a Flávio
O senador ainda criticou um dos pontos apresentados ao TSE pela campanha de Flávio Bolsonaro: a exclusão da Alcazar Holdings das condições para a divulgação dos dados.
A empresa, sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, aparece em apurações jornalísticas sobre possíveis vínculos financeiros entre Flávio e o advogado Willer Tomaz.
Segundo documentos obtidos pela Polícia Federal, Flávio tinha acesso a uma conta bancária relacionada à empresa, na qual Tomaz também aparece como sócio. O senador é alvo de apurações sobre possíveis irregularidades financeiras, mas nega envolvimento em práticas ilícitas.