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Jorge William / Agência O Globo - 1.8.19
Salles culpou população da região Norte por queimadas na Amazônia: "Hábito de por fogo nas coisas"

Alvo de um pedido de impeachment , o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse nesta quinta-feira (22) que as queimadas que devastam a Amazônia foram causadas por moradores da região Norte. Salles deu a declaração durante o programa "Jornal da Manhã", da Rádio Jovem Pan , e se baseou em sobrevoos que fez na Chapada dos Guimarães para culpar a população local.

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“Ontem eu estive na Amazônia. Sobrevoamos a Chapada dos Guimarães, por exemplo, onde uma queimada de 3 mil hectares foi iniciada por um senhor que colocou fogo em folhas, em um lixo no fundo do seu terreno. As pessoas do Norte tem o hábito de por fogo nas coisas, atear lixo, queimar coisas. É uma cultura que vem de muito tempo e precisa ser combatida”, afirmou Ricardo Salles .

“Em Cuiabá vimos um terreno baldio com bastante lixo acumulado. Estava pegando fogo. A mesma coisa: pessoas juntaram e colocaram fogo”, acrescentou o ministro do Meio Ambiente .

Recentemente, o Brasil perdeu os  repasses da Noruega e da Alemanha para o Fundo Amazônia por conta das declarações do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Além disso, na quarta-feira (21),  Bolsonaro acusou, sem apresentar provas, ONGs e até governos da região Norte de causarem as queimadas.  Bolsonaro reafirmou sua opinião nesta quinta, mesmo após reações negativas a sua declaração.

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Vale ressaltar que em relatórios periódicos o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais ( INPE ) aponta um crescimento da incidência de queimadas e desmatamento na Amazônia. Na última segunda-feira (19), inclusive, partículas de fumaça de incêndios florestais nos estados do Acre e Rondônia, além da Bolívia, chegaram até São Paulo e fizeram o céu escurecer no meio da tarde.

Já Ricardo Salles , em meio a crise ambiental que vive o Brasil,  foi vaiado também na quarta-feira durante a Semana Latino-Americana e Caribenha sobre Mudança do Clima, que acontece em Salvador. Cartazes com inscríções como "Floresta em pé" e "Mata Atântica resiste" foram erguidos no momento.

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